Ao longo dos anos, aconselhando famílias, casais e líderes, aprendi uma verdade que se repete com frequência: muitos relacionamentos não terminam por falta de amor.
É curioso perceber que, em praticamente todas as áreas da vida, entendemos a importância de buscar orientação. Quando adoecemos, procuramos um médico. Quando enfrentamos um problema jurídico, buscamos um advogado. Quando surge uma dificuldade financeira, recorremos a alguém que possa nos orientar.
Mas quando o casamento entra em crise, muitos insistem em enfrentar tudo sozinhos. Alguns ainda repetem uma frase muito conhecida: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.”
Embora a intenção possa ser proteger a intimidade do casal, essa frase já foi responsável por prolongar sofrimentos desnecessários. Há situações em que não apenas se deve permitir ajuda, como é prudente procurá-la. Nenhum casamento está imune às crises.
Existem dificuldades causadas pela falta de diálogo. Outras surgem por feridas emocionais, expectativas frustradas, rotina desgastante, dificuldades financeiras, interferências externas ou até pecados que geram profundas marcas na relação.
Muitas vezes, problema não é a crise que surgiu. O problema é imaginar que ela será resolvida sozinha. Muitos casais permanecem anos acumulando mágoas, afastamentos e silêncios. Aos poucos, o coração vai endurecendo. O que poderia ser tratado no início torna-se uma ferida profunda.
Entretanto, também tenho visto o outro lado da história. Eu e Maria tivemos o privilégio de caminhar ao lado de inúmeros casais que decidiram dar um passo de humildade. Casais que procuraram aconselhamento, participaram de cursos, fizeram terapia, buscaram direção espiritual e aceitaram ajuda.
Muitos chegaram sem esperança. Alguns já falavam em separação. Outros não conseguiam mais conversar sem discutir. Mas algo começou a mudar quando reconheceram que precisavam de apoio.
A restauração geralmente não acontece de uma vez. Ela é construída. É fruto de decisões, arrependimento, perdão, aprendizado e perseverança. Por isso, pedir ajuda nunca deve ser visto como sinal de fraqueza. Na verdade, é uma das atitudes mais maduras que um casal pode tomar.
O orgulho costuma dizer: “Vamos resolver sozinhos.” A sabedoria diz: “Vamos buscar orientação antes que seja tarde.”
A Bíblia nos ensina que existe segurança na multidão de conselheiros. Deus frequentemente usa pessoas, princípios, aconselhamento e comunhão para restaurar aquilo que parece perdido.
Talvez você esteja lendo este artigo e percebendo que seu casamento atravessa uma fase difícil. Talvez existam conversas adiadas, feridas não tratadas ou sentimentos acumulados.
Minha palavra é simples: Não desista sem lutar. Não permita que o orgulho seja maior que o propósito. Não tenha vergonha de pedir ajuda.
Existem histórias que pareciam terminadas e foram restauradas. Existem famílias que voltaram a sorrir. Existem casamentos que reaprenderam a amar. E tudo começou quando alguém teve coragem de dizer: “Precisamos de ajuda.”
Casamentos fortes e saudáveis são aqueles que decidem enfrentar as crises juntos, com humildade, fé e disposição para mudar.
Porque muitas vezes a restauração que você procura começa exatamente no momento em que você para de lutar sozinho.
Violência doméstica é crime. Casos de violência, procure à polícia imediatamente.
Leudo Buriti é casado com Maria desde julho de 1990, autor dos livros Amor Geracional e Guia do Casamento, fundador da Associação Você Disse Sim.

