Manaus amanheceu coberta por uma densa camada de fumaça pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira (9), resultado de incêndios florestais no interior do Amazonas e na Região Metropolitana. A visibilidade caiu em vários pontos da capital, a qualidade do ar foi classificada como a pior do Brasil e a Prefeitura decretou estado de atenção na cidade.
O doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Antônio Norte, afirma que as ações de combate aos incêndios costumam alcançar apenas quem coloca fogo na floresta, sem atingir os mandantes, financiadores e beneficiários econômicos da destruição. Para mudar esse quadro, ele defende a integração de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Cadastro Ambiental Rural (CAR), de registros imobiliários e de investigações financeiras, de modo a conectar os focos de calor detectados por satélite aos verdadeiros responsáveis pelas queimadas.
O especialista também aponta que a resposta do poder público precisa deixar de ser reativa e se tornar permanente, com prevenção baseada em ciência e gestão territorial durante todo o ano. Norte destaca que Ibama, Prevfogo, secretarias estaduais, Defesa Civil e prefeituras devem atuar de forma coordenada, conforme determina a Lei Complementar nº 140/2011, sem usar disputas de competência como justificativa para omissões.
Com o agravamento das condições atmosféricas, a rede pública de saúde de Manaus registrou aumento nos atendimentos por problemas respiratórios. A Defesa Civil enviou alertas aos celulares dos moradores recomendando o uso de máscaras ao sair de casa, além de orientações para evitar atividades físicas ao ar livre e reforçar a hidratação.
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