Uma pesquisa inédita realizada na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, mostrou que o aquecimento em grande parte da América do Sul ocorre 2,5 vezes mais rápido do que a variação natural de temperatura registrada nos últimos 20 mil anos. O estudo foi publicado na revista científica Nature e ganhou repercussão internacional.
Os dados foram obtidos a partir de minúsculas gotículas de água aprisionadas em uma estalagmite encontrada na caverna. Essas gotículas funcionam como registros históricos das condições atmosféricas de cada época, já que a temperatura da água no interior da gruta reflete uma média anual das temperaturas externas. A estalagmite analisada mostrou que a temperatura média dentro da caverna passou de 14,4°C para 20,1°C ao longo do período estudado.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de São Paulo, em parceria com a PUC Minas e a Universidade de Bergen, na Noruega, com autorização do ICMBio. Os pesquisadores verificaram que o ritmo atual de aquecimento supera o da transição entre a era glacial e o período atual, considerada a mais intensa mudança climática já registrada, e que o aumento das temperaturas acompanhou diretamente o crescimento das emissões de CO2. Os autores do estudo apontam que reduzir emissões de gases de efeito estufa e investir em reflorestamento são caminhos possíveis para enfrentar o cenário identificado.
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