O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou na quarta-feira (30) que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar a destruição de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida encontrada sem cabeça na Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá. A escultura foi localizada no estado danificado na noite de sexta-feira (25), e o caso ganhou repercussão após um registro do local ser divulgado nas redes sociais.
No despacho, Dino ampliou o escopo da investigação para abarcar outros episódios semelhantes registrados na Bahia, no Paraná e no Rio Grande do Sul, que incluem ataques a imagens católicas e a espaços de religiões de matriz africana. Segundo o ministro, a atuação da PF se justifica pela repercussão interestadual dos casos, pela necessidade de resposta uniforme e pela natureza dos crimes, que têm aparência de violações aos direitos humanos.
A Arquidiocese de Cuiabá publicou nota de repúdio destacando que a Cruz do Chilão é um marco da religiosidade popular cuiabana e reúne elementos da tradição católica e da cultura de povos de matriz africana. A instituição reafirmou que atos de intolerância e vandalismo motivados por religião podem configurar crimes e pediu que as autoridades identifiquem os responsáveis. Em março deste ano, um homem de 47 anos havia sido detido após destruir com um machado outra imagem de Nossa Senhora Aparecida em uma capela de Jauru, a 463 km de Cuiabá.
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