Quatro dos 14 abrigos de acolhimento para crianças e adolescentes de Campo Grande operam acima da capacidade. As unidades são mantidas diretamente pela Prefeitura e cada uma tem limite de 20 vagas. O caso mais grave é o abrigo para crianças de 4 a 12 anos, que abriga 36 menores para apenas 20 vagas, índice 80% acima do previsto.
Além da superlotação, as unidades enfrentam escassez de camas, itens de higiene, cuidadores e veículos para transporte das crianças a consultas e atendimentos. A juíza da Vara da Infância e da Adolescência, Katy Braun do Prado, destacou que o problema é agravado pelo fato de as crianças serem retiradas do convívio familiar justamente para serem encaminhadas a um ambiente seguro. Segundo ela, a responsabilidade pelo funcionamento adequado do serviço é do município.
A situação está judicializada desde 2019. Em março deste ano, o município não compareceu a uma audiência convocada para tratar do tema e foi novamente notificado. A juíza solicitou ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente informações sobre um eventual planejamento para ampliar vagas em 2027, sob pena de julgamento do caso com possibilidade de multa por descumprimento. A Secretaria de Assistência Social de Campo Grande informou que, entre 2020 e 2025, foram adquiridas 43 vagas adicionais na rede de acolhimento e que segue avaliando possibilidades de ampliação.
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