O Estado brasileiro reconheceu, nesta quinta-feira (15), a responsabilidade pela violação de direitos do ex-policial militar rodoviário Gerson Milusk de Carvalho, preso e condenado por um crime que confessou após ser submetido a torturas. O ato público de pedido formal de desculpas aconteceu em Pitanga, na região central do Paraná, por recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Carvalho foi acusado de participação no assassinato de Wilson Schon e Irene Maria dos Santos, em março de 1995, também em Pitanga. Em 1997, foi condenado a 26 anos de prisão e cumpriu ao menos nove anos da pena. Segundo relatos apresentados à CIDH, ele foi preso sem ordem judicial, mantido em cárcere privado e submetido a choques elétricos, afogamentos simulados e sessões de tortura no chamado pau de arara, além de ter prestado declarações sem assistência de advogado. O caso chegou ao órgão interamericano em 2003, por meio de uma carta escrita à mão pelo próprio ex-policial. Em 2014, a CIDH recomendou a revisão criminal e, 12 anos depois, sua inocência foi reconhecida.
No período em que esteve preso, Carvalho trabalhou na biblioteca da penitenciária e, ao estudar livros de Direito, identificou caminhos para contestar a condenação. Entre os torturadores apontados por ele está o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, chefe do Grupo Águia da Polícia Militar do Paraná, que também foi apontado como executor de torturas no Caso Evandro, em que quatro pessoas foram condenadas injustamente pelo assassinato de um menino de 6 anos em Guaratuba, em 1992. Copetti Neves foi assassinado em 2018, em Ponta Grossa.
No ato desta quinta, o Estado assumiu os impactos causados a Carvalho e à sua família e se comprometeu a dar continuidade às investigações para identificar os verdadeiros responsáveis pelo crime, além de adotar medidas para evitar casos semelhantes. O Ministério Público designou um promotor para avaliar a revisão criminal, já que o pedido de desculpas não anula automaticamente a condenação.
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