Andros Garcia Maldaner, executivo brasileiro de 40 anos, está detido há dois meses em um centro de detenção para imigrantes na Flórida, nos Estados Unidos. Ele foi parado em uma blitz de trânsito em 30 de julho e acusado por um policial de dirigir sob efeito de álcool. Após a abordagem, foi entregue diretamente ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas, o ICE, sem passar por um tribunal onde pudesse contestar a acusação.
Maldaner trabalhava como assistente de vice-presidente no banco Morgan Stanley, na área de investigação de crimes financeiros, e afirma que nunca esteve irregularmente no país. Segundo ele, estava em processo de obtenção do green card no momento da prisão. O policial responsável pela abordagem relatou que o motorista dirigia em zigue-zague, apresentava sinais de embriaguez e que o bafômetro registrou nível de álcool entre 0,221 e 0,230, pouco mais do dobro do limite legal da Flórida. No carro, foram encontrados uma garrafa de tequila e um frasco de medicamento para TDAH. O executivo nega estar bêbado e diz não se lembrar de ter feito o teste.
Dentro do centro de detenção, ele relata dividir uma cela com cerca de cem pessoas, com acesso a apenas dois chuveiros funcionando e seis banheiros. Afirma ainda que está sem os medicamentos controlados que usa há 25 anos para ansiedade, depressão e síndrome do pânico, e que tem enfrentado crises semanais. O Morgan Stanley o colocou em licença não remunerada e sinalizou que poderá demiti-lo caso ele não retorne em breve. Maldaner protocolou um pedido de habeas corpus, e um juiz deu 30 dias para que o ICE se manifeste sobre a continuidade da detenção. O Ministério das Relações Exteriores informou ter ciência do caso e estar à disposição para prestar assistência consular quando solicitada.
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