Moradores do Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo, no Mato Grosso, aguardam há mais de duas décadas pela criação de um assentamento da reforma agrária em uma área da Fazenda Cinco Estrelas. A propriedade, com cerca de 4,3 mil hectares, é reconhecida pela Justiça Federal como pertencente à União e integra o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Novo Mundo, gerido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
As famílias vivem em barracos improvisados ao redor da fazenda e relatam falta de água, ausência de infraestrutura e preocupação com segurança. Maria Lúcia Espíndola Vaz, de 56 anos, afirmou que há mais de uma semana o caminhão-pipa não abastece o acampamento, prejudicando pessoas, animais e plantações. Em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da fazenda pelos atuais ocupantes, com prazo prorrogado até o final do mês. Em 2025, o Incra havia publicado a lista de 74 famílias selecionadas para ocupar lotes no projeto.
O Incra informou que identificou pedidos de exploração de ouro abrangendo cerca de 4.346,63 hectares da fazenda, área praticamente equivalente à totalidade da propriedade. O órgão comunicou a Agência Nacional de Mineração, o Ministério Público Federal e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente sobre a situação e adotou medidas judiciais. A implantação efetiva do assentamento ainda depende do cumprimento da decisão judicial e da destinação formal das terras às famílias selecionadas.
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