EM LINHA RETA – Hildon Chaves se filia à União Brasil e passa a ser comandado pela família Gonçalves; Júnior segue como presidente do partido – Por Alan Drumond

    No cenário atual, a dificuldade de alcançar o segundo turno é evidente.
    EM LINHA RETA – Hildon Chaves se filia à União Brasil e passa a ser comandado pela família Gonçalves; Júnior segue como presidente do partido – Por Alan Drumond
    Reprodução Internet

    Há momentos na política em que é preciso parar e encarar a realidade como ela é não como se gostaria que fosse.

    O cenário de Hildon Chaves hoje exige exatamente isso.

    Há mais de um ano e meio, os números praticamente não mudam. A intenção de voto gira em torno de 11%, com picos de 14% no melhor dos cenários. Não há crescimento consistente. Não há avanço. E, na política, quando um projeto não cresce por tanto tempo, o sinal é claro existe um limite.

    E o mais preocupante não é apenas a estagnação.

    É ver que, em pouco tempo, novos nomes conseguem encostar nesses mesmos números. Isso mostra que o eleitor está aberto, mas ainda não encontrou, em Hildon, um motivo forte o suficiente para ampliar esse apoio.

    Dentro desse contexto, a filiação ao União Brasil precisa ser analisada com frieza.

    O partido tem comando, tem direção e tem uma estrutura já definida sob a liderança da família Gonçalves, com Júnior à frente. Nesse ambiente, Hildon não chega como o centro do projeto político, chega para se encaixar nele.

    E isso, para uma candidatura ao governo, é um ponto sensível.

    Projetos majoritários exigem protagonismo, exigem liderança clara e exigem controle de estratégia. Quando isso não acontece, o risco de enfraquecimento é real.

    Mas há um ponto ainda mais decisivo nessa equação.

    Em 2018, a direita venceu em Rondônia com Marcos Rocha, impulsionada pelo apoio decisivo de Jair Bolsonaro. Em 2022, o cenário foi outro. Bolsonaro ficou neutro no estado. Ainda assim, Marcos Rogério chegou ao segundo turno com força real, muito em razão da identificação com o eleitorado conservador e por estar no campo político ligado ao ex-presidente.

    Agora, o contexto muda novamente.

    Para 2026, a tendência é de alinhamento total. Marcos Rogério deve contar com apoio integral de Jair Bolsonaro e também de Flávio Bolsonaro, que surge como nome forte na disputa da presidência da república. Em um estado como Rondônia, onde a direita tem uma das maiores forças proporcionais do país, esse fator pesa e muito.

    Isso aumenta significativamente a possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno.

    Diante disso, a reflexão se impõe.

    Havia, recentemente, um caminho considerado por muitos como o mais sólido. A composição como vice em uma chapa com Marcos Rogério. Uma construção forte, com base eleitoral consolidada e alta probabilidade de sucesso.

    Abrir mão desse cenário e optar por um projeto próprio, sem crescimento nas pesquisas e dentro de uma estrutura onde não se detém o comando político, é uma decisão que eleva consideravelmente o nível de risco.

    E o risco aqui não é pequeno.

    No cenário atual, a dificuldade de alcançar o segundo turno é evidente. E, fora dele, o desgaste tende a ser grande. A política, como se sabe, não costuma ser generosa com projetos que não conseguem se viabilizar nas urnas.

    Não se trata de trajetória, Hildon tem. Não se trata de capacidade, isso ele também tem.

    A questão central é viabilidade.

    E esse é o ponto que precisa ser refletido com profundidade.

    Porque, em determinados momentos, insistir em um caminho que não avança pode custar mais caro do que recuar para reposicionar.

    A política sempre oferece sinais.

    O desafio está em saber interpretá-los a tempo.

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