O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) registrou um aumento de 123% nos casos de casamento precoce e forçado na Faixa de Gaza no segundo trimestre de 2026, em comparação com os três primeiros meses do ano. Os dados foram reunidos com base em pesquisas realizadas no fim de 2025 e início de 2026, com participação de dez organizações humanitárias.
Mulheres ouvidas pelo UNFPA relataram situações extremas, como o casamento de meninas de 14 e 15 anos cujos pais morreram em ataques aéreos. Em um dos relatos, um homem deu a filha de 14 anos em casamento em troca de dois sacos de farinha durante o período de fome. Meninas nessas condições tinham entre 12 e 17 anos, e muitas ficaram grávidas ainda na adolescência. O UNFPA alerta que corpos jovens em situação de desnutrição enfrentam riscos muito maiores durante a gestação.
A violência sexual também cresceu no período. Entre abril e junho de 2026, os casos registrados de estupro e agressão sexual aumentaram 61% em relação ao trimestre anterior. A subnotificação ainda é alta, impulsionada pelo medo de estigma e represálias. Quase um em cada quatro domicílios em Gaza é hoje sustentado por uma mulher, proporção que dobrou desde o início do conflito entre Israel e o Hamas, em 2023.
Organizações humanitárias pedem que Israel permita a entrada de abrigos de melhor qualidade e de equipamentos para saneamento e iluminação, medidas que, segundo elas, reduziriam de forma significativa os riscos enfrentados pelas mulheres e meninas no território.
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