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A morte dentro da universidade que não pode ser tratada como rotina

A morte da professora Juliana Santiago dentro de uma faculdade revela falhas profundas na proteção de quem ensina, no socorro em situações extremas e na forma como a segurança ainda é tratada nos ambientes de ensino.
A morte dentro da universidade que não pode ser tratada como rotina
Reprodução Internet

A morte de Juliana Santiago não pode ser normalizada nem diluída no fluxo diário de notícias sobre violência, porque o que ocorreu dentro de uma sala de aula atinge um dos poucos espaços que ainda deveriam ser preservados como território de confiança, diálogo e formação, e quando esse espaço falha, toda a sociedade falha junto.

Não se trata apenas da perda de uma policial civil, mas da interrupção da vida de uma professora reconhecida pelo cuidado, pela atenção e pelo respeito no trato com os alunos, alguém cuja atuação ultrapassava o conteúdo técnico e se manifestava na forma humana de ensinar, o que torna a violência ainda mais dura, porque o ataque não foi apenas contra uma pessoa, foi contra o próprio ato de educar.

Há também um silêncio incômodo em torno do atendimento que não chegou a tempo, da espera angustiante por socorro especializado e da cena em que alunos tentaram, com os próprios meios, salvar a vida de quem até então era referência em sala de aula, uma situação que nenhum estudante deveria viver e que expõe fragilidades que precisam ser encaradas sem rodeios.

Quando uma morte acontece dessa forma, sem chance de defesa, dentro de um ambiente institucional, a resposta não pode ser morna, porque a impunidade, além de injusta, cria um ambiente de medo e descrédito, fazendo com que professores e alunos passem a frequentar a sala de aula com a sensação de vulnerabilidade permanente.

Esse caso também obriga as instituições de ensino a assumirem responsabilidades que há muito vêm sendo tratadas como secundárias, porque segurança não é detalhe administrativo, é condição básica para que o ensino exista, e discutir controle de acesso, prevenção e atendimento emergencial não é excesso, é necessidade diante de uma realidade que já se impôs.

A morte de Juliana Santiago não pode se encerrar apenas no luto, ela precisa resultar em mudanças concretas, para que ensinar não seja um risco e para que a sala de aula volte a ser um espaço de construção de conhecimento, e não de medo e perda.

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