Ameaça militar dos EUA contra a Colômbia é real, diz Petro

Presidente colombiano fala à BBC e acusa Washington de agir como império
Ameaça militar dos EUA contra a Colômbia é real, diz Petro
Reprodução Internet

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que existe hoje uma ameaça real de ação militar dos Estados Unidos contra o país. A declaração foi dada em entrevista à BBC, publicada nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026.

Petro reagiu às recentes falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a mencionar a possibilidade de uma ofensiva militar após a operação americana na Venezuela. Segundo o colombiano, Washington passou a tratar outras nações como se fossem parte de um império, ignorando limites legais e diplomáticos.

Na entrevista, Petro afirmou que os EUA correm o risco de trocar a posição de potência global por um isolamento político. Para ele, a postura atual rompe pontes históricas, especialmente com países da América Latina.

O presidente colombiano também fez críticas duras às operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE. Ele disse que agentes atuam de forma violenta e comparou as ações a “brigadas nazistas”. A fala ocorre após a ampliação das operações migratórias determinadas por Trump, que associa imigração ilegal ao aumento do crime e do tráfico de drogas.

A Casa Branca não comentou as declarações até o momento.

Petro revelou que conversou por telefone com Trump na noite de quarta-feira, 7 de janeiro. A ligação durou quase uma hora e tratou de tráfico de drogas, Venezuela e da relação dos EUA com a América Latina. Após a conversa, Trump falou em encontro futuro na Casa Branca e classificou o diálogo como positivo. Mesmo assim, no dia seguinte, Petro deixou claro que o tom não havia mudado de forma significativa.

O presidente colombiano voltou a criticar a política migratória americana, citando dados oficiais que apontam centenas de milhares de deportações em 2025 e cerca de 65 mil pessoas detidas pelo ICE no fim de novembro. Ele também mencionou o caso de uma cidadã americana morta por um agente de imigração em Minneapolis, episódio que gerou protestos e críticas de autoridades locais.

Segundo Petro, a violência não se limita a latino-americanos e já atinge cidadãos dos próprios Estados Unidos. Para ele, esse caminho afasta o país do restante do mundo.

As ameaças de Trump provocaram protestos em várias cidades da Colômbia em defesa da soberania nacional. Petro lembrou perdas históricas, como a separação do Panamá, para reforçar que o risco não é abstrato. Ainda assim, afirmou que a redução da tensão depende do diálogo em andamento.

Questionado sobre uma eventual reação militar, o presidente disse que prefere a via diplomática. Reconheceu que a Colômbia não possui defesas antiaéreas robustas, mas destacou a resistência histórica do país, baseada no apoio popular, nas montanhas e nas florestas.

Petro também comentou a situação da Venezuela e acusou interferências estrangeiras contínuas. Para ele, conflitos recentes estão ligados a interesses em recursos naturais, como petróleo e carvão. Ele afirmou que uma relação mais equilibrada seria possível com compromissos ambientais e menos dependência de combustíveis fósseis.

Trump, por sua vez, voltou a atacar Petro publicamente, acusando-o de ligação com o tráfico de drogas. O colombiano negou e disse que há mais de 20 anos combate cartéis, o que levou sua família ao exílio.

Ex-guerrilheiro, Petro mantém a política de “paz total”, baseada no diálogo com grupos armados e em ações contra facções que rejeitam acordos. Ele afirmou que o objetivo é reduzir a violência sem ignorar a força do crime organizado no país.

Com informações da BBC

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