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Marcos Rogério, os donos do poder e a perigosa ilusão de que quem chega primeiro bebe água limpa

Entre padrinhos políticos, investigações, disputas por cargos e uma Assembleia experiente, o futuro governador terá que descobrir quem deseja ajudá-lo a governar e quem pretende apenas se servir do governo.

Marcos Rogério, os donos do poder e a perigosa ilusão de que quem chega primeiro bebe água limpa
Foto: Divulgacao

Diz um velho ditado que quem chega primeiro bebe água limpa, e a frase costuma servir para elogiar a esperteza de quem se antecipa aos outros. Na política de Rondônia, porém, nem sempre funciona assim, porque às vezes quem chega primeiro só encontra a chance de sujar o poço antes que os demais apareçam. E é aí que mora o perigo.

A eleição de Marcos Rogério abriu uma temporada de expectativas e articulações que vai muito além da troca de governador. Nos bastidores, a corrida por espaço já faz parte da rotina de quem vive da política, depende dela ou enxerga na administração estadual uma forma de manter influência. Não há novidade nisso, já que em toda mudança de governo quem ocupa cargo comissionado tenta permanecer onde está, enquanto outros, percebendo que os antigos padrinhos perderam força, procuram novas referências. Entram em cena vereadores, deputados, senadores, pastores, empresários e lideranças capazes de abrir portas. Tem gente que troca de padrinho com a mesma facilidade com que troca de camisa, e que ontem defendia o governador que está saindo, hoje descobre virtudes extraordinárias em quem venceu e amanhã, se o vento virar, acha uma justificativa para mudar de lado outra vez. A fidelidade de alguns termina exatamente onde começam os interesses pessoais.

Seria injusto, mesmo assim, colocar todo mundo no mesmo saco. Existem pessoas em funções de confiança que atravessam vários governos porque realmente sabem o que fazem, e não precisam organizar caravanas nem distribuir elogios nas redes para provar o próprio valor. Conhecem a máquina, os procedimentos, os riscos e as consequências de uma decisão errada. Áreas como recursos humanos, folha de pagamento, orçamento e execução financeira exigem gente preparada, e uma secretaria pode trocar de titular da noite para o dia sem conseguir repor o conhecimento que uma equipe experiente levou anos para acumular. Ninguém é insubstituível, mas a administração também não pode virar um balcão de empregos. Indicar alguém porque tem condições de exercer a função é bem diferente de nomear só porque um político exigiu a vaga, e a segunda situação costuma gerar uma conta que alguém vai ter de pagar, quase nunca o padrinho.

O governador ganhou a eleição, mas ainda precisa conquistar o governo

Marcos Rogério não chegou ao Palácio Rio Madeira por acaso, pois teve 537.370 votos, o equivalente a 56,86% dos votos válidos, e venceu já no primeiro turno. O resultado dá legitimidade ao projeto que ele pretende tocar, mas vencer uma eleição não garante a obediência automática dos grupos que fazem parte da estrutura estadual. Ele conhece bem a política nacional, passou pela Câmara dos Deputados, chegou ao Senado e construiu sua trajetória no campo conservador. Também sabe o que é perder, já que disputou o governo em 2022 e ficou atrás de Marcos Rocha. Agora os papéis se inverteram, e o adversário de ontem deixa o cargo enquanto o derrotado de então se prepara para assumir.

A relação entre os dois não pode ser lida apenas pela rivalidade do passado, uma vez que existem responsabilidades administrativas e uma estrutura que não para porque um grupo saiu do poder. Pela leitura política que circulou a respeito do vídeo envolvendo Marcos Rogério e Marcos Rocha, o governador eleito quis sinalizar que não pretende transformar a transição numa perseguição indiscriminada. O recado pesa, porque parte dos apoiadores mais radicais espera exonerações em massa e uma verdadeira operação de limpeza. O Estado, só que, não funciona conforme a temperatura das redes sociais. Suspeitas contra uma gestão pedem apuração, e se houver provas de crime os responsáveis devem responder na Justiça, mas governador nenhum tem poder de prender adversário nem de transformar desavença eleitoral em condenação antecipada. Também não seria aceitável usar o discurso da pacificação para proteger irregularidades. Marcos Rogério terá de encontrar o ponto entre a perseguição e a proteção, entre a vingança e o acordo de silêncio, sabendo que continuidade administrativa não pode ser continuidade de erros e que mudar de governo não deve significar destruir o que funciona.

O Detran não será o mesmo, e os fatos ajudam a entender por quê

O Departamento Estadual de Trânsito merece atenção especial. Quem assumir o comando vai encontrar responsabilidades muito maiores do que cuidar de taxas, habilitações, registros e transferências. No dia 8 de outubro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Utilitarium, que investiga suspeitas de fraude tributária e lavagem de dinheiro na compra e revenda de veículos utilitários. Segundo a investigação, empresas de Guajará-Mirim teriam comprado veículos com benefícios fiscais e feito revendas irregulares, e a PF aponta indícios de baixas indevidas de restrições tributárias em sistemas do órgão estadual de trânsito, com suspeita de participação de servidores. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Porto Velho, Ji-Paraná e Guajará-Mirim. Trata-se de uma investigação, e eventuais responsabilidades individuais dependem da apuração e das decisões da Justiça.

O fato é sério o bastante para exigir atenção de quem vai comandar a próxima gestão. Mais do que saber quem ocupará a direção-geral, será preciso definir como impedir interferências indevidas nos sistemas, proteger informações, fiscalizar servidores e acompanhar credenciamentos. Documentos do próprio Detran sobre discussões realizadas em 2026 tratam ainda da reorganização das competências de vistoria veicular, com proposta de dar ao órgão um papel maior de coordenação, fiscalização e auditoria, o que torna mais delicada a relação com as empresas credenciadas e a emissão de laudos. Quem imagina assumir o Detran só para distribuir cargos e atender pedidos políticos talvez não tenha entendido o tamanho da responsabilidade, e o governador eleito precisará escolher muito bem quem colocará ali.

A Assembleia Legislativa não será formada por principiantes

A Assembleia de Rondônia terá 24 deputados estaduais na legislatura que começa em fevereiro de 2027, e 16 deles conquistaram a reeleição, ou seja, dois terços da Casa já conhecem os procedimentos, as relações políticas e os caminhos da administração. Entre os eleitos estão Laerte Gomes, Alex Redano, Luizinho Goebel, Ismael Crispin, Jean Oliveira, Jean Mendonça, Alan Queiroz e Cássio Gois, e chegam também novos integrantes como Paulo Moraes Jr., Wiveslando Neiva, Delegado Araújo e Fátima Cleide, cada um com seus próprios compromissos. Uma vitória expressiva para governador não significa que todos os deputados estejam comprometidos com o projeto dele. O PL terá uma bancada relevante, mas sozinho não garante todas as votações, e Marcos Rogério precisará conversar com parlamentares de vários partidos, inclusive os que ficaram fora da aliança eleitoral.

Deputados não são funcionários do governador, pois têm mandato próprio, representam regiões e exercem a função constitucional de fiscalizar. A política estadual, ao mesmo tempo, vive de reivindicações, disputas de influência e negociação permanente. O governo vai precisar aprovar o orçamento, encaminhar projetos e responder a cobranças, e uma Assembleia insatisfeita pode travar propostas e transformar a gestão numa disputa sem fim. Isso não quer dizer que deputado deva receber cargo para votar com o Executivo, e sim que o governo precisa construir uma relação de respeito antes que as divergências se acumulem. Conquistar apoio pelo diálogo é legítimo, ao passo que tentar comprá-lo com favores pode terminar nas páginas policiais, e quem conhece a história de Rondônia sabe que conflito entre os Poderes deixa marcas fundas numa administração.

O perigo de deixar os mais espertos ocuparem todos os espaços

É nesse ambiente que o ditado ganha outro sentido. Enquanto o governador eleito analisa nomes e organiza a transição, tem gente fazendo as próprias contas. Alguns querem secretarias, outros preferem autarquias, e há quem mire diretorias administrativas, departamentos financeiros e setores de compras. Nem toda articulação desse tipo é irregular, porque indicar nomes e compor equipes faz parte da política, mas seria ingenuidade achar que todos buscam esses espaços só pelo desejo de servir à população. Certos cargos são cobiçados menos pelo salário do que pela influência que oferecem, e a proximidade com contratos, processos e nomeações atrai quem vê a estrutura do Estado como oportunidade de favorecer interesses particulares.

Por isso o governador deve conhecer não só o currículo dos indicados, mas também os interesses por trás de cada recomendação. Quem está pedindo a nomeação, por qual motivo, que relação mantém com o setor e se existe conflito de interesses são perguntas que qualquer escolha séria de auxiliares deveria responder. O político que indica alguém competente contribui com o governo, mas o que quer controlar uma área só para atender a si mesmo pode criar problemas difíceis de corrigir, e quando eles aparecem o padrinho costuma sumir.

A Casa Civil pode ser a maior proteção ou o maior problema de Marcos Rogério

O futuro chefe da Casa Civil terá uma das tarefas mais delicadas do próximo governo. O órgão não pode servir de sala de espera para deputados, prefeitos e lideranças, e precisa funcionar como centro de articulação entre o governador, os secretários e a Assembleia. Quem assumir terá de conhecer os parlamentares, entender os interesses de cada região, perceber os conflitos e achar caminhos para o governo andar sem abrir mão de seus compromissos. Ser amigo de Marcos Rogério não será suficiente, já que a amizade garante acesso e só a competência resolve problema.

Um chefe da Casa Civil sem habilidade política pode transformar pequenos desentendimentos em crises, e se faltar autoridade terá dificuldade para fazer valer as decisões. Se desconhecer a máquina estadual, poderá assumir compromissos impossíveis de cumprir, e será ainda pior se confundir articulação política com distribuição de vantagens. O cargo pede alguém capaz de dizer sim quando dá e não quando precisa, que receba um deputado sem prometer o que não pode entregar, converse com aliados insatisfeitos sem expor o governador e saiba distinguir um pedido legítimo de outro que ultrapassa os limites da lei. Esse chefe vai lidar com políticos experientes, alguns deles conhecedores dos bastidores do governo há muitos anos, e não poderá ser ingênuo nem tratar o Legislativo como um grupo obrigado a obedecer ao Palácio. Governabilidade nasce de acordos legítimos, de compromissos cumpridos e do respeito entre as instituições, e não da arrogância. A pior situação para Marcos Rogério seria descobrir, meses depois, que a relação com a Assembleia foi prejudicada por promessas feitas em seu nome ou por conflitos que poderiam ter sido evitados.

A saúde não pode continuar disputando espaço com os interesses políticos

Enquanto os partidos discutem cargos, a população segue dependendo dos serviços do Estado, e a saúde é o exemplo mais sensível. O Portal da Transparência de Rondônia traz dados sobre filas de espera para consultas, exames e cirurgias. Nas informações do sistema de regulação divulgadas em julho de 2026, havia mais de 200 mil registros ligados a consultas especializadas, além de dezenas de milhares relacionados a exames como ultrassonografia, endoscopia e colonoscopia. Esses números seguem os critérios do sistema e representam registros de procedimentos, não necessariamente pessoas diferentes, mas bastam para mostrar o tamanho da demanda. Em outubro, o governo estadual anunciou mais cirurgias ortopédicas nos hospitais de Retaguarda e João Paulo II, com estimativa de até 990 procedimentos por mês, medida que ajuda, embora também mostre a necessidade de manter a capacidade de atendimento e diminuir a espera.

Marcos Rogério vai encontrar uma estrutura que exige acompanhamento constante, e trocar o secretário e anunciar um novo plano não resolve. Será preciso verificar o funcionamento dos hospitais, as condições das equipes, a disponibilidade de especialistas, a execução dos contratos e o atendimento aos pacientes do interior. A população não quer saber qual partido indicou o secretário de Saúde, quer atendimento, cirurgia, medicamento e a possibilidade de voltar para casa sem esperar meses. Quem assumir a pasta terá de entender que a responsabilidade vai bem além de comandar uma secretaria cobiçada politicamente.

Segurança e fronteira exigem mais do que discursos

Rondônia ocupa uma posição geográfica que pede atuação permanente contra o tráfico de drogas, o comércio ilegal de armas e as organizações criminosas que usam os corredores entre o Brasil e a Bolívia. No dia 1º de outubro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Ascensão, com apoio da Polícia Militar, para desarticular uma associação criminosa suspeita de traficar armas entre países, transportar drogas e lavar dinheiro. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Vilhena e Pimenteiras do Oeste. Segundo a PF, as apurações alcançaram suspeitas de circulação de armas vindas da região de fronteira e de distribuição de entorpecentes para outros estados.

Ocorrências assim mostram a necessidade de uma política de segurança que não dependa de ações isoladas, e a fronteira pede inteligência, cooperação entre instituições, equipamentos, valorização dos policiais e capacidade constante de investigação. Também pede atenção ao sistema penitenciário, à atuação das facções e às condições de trabalho de quem enfrenta a criminalidade todos os dias. Seria simplista dizer que nada funciona, porque há policiais competentes, operações relevantes e profissionais dedicados, e o que falta é dar condições para que esse trabalho continue. O crime organizado não se combate apenas escolhendo um secretário alinhado ao governador, e num estado de fronteira improvisar pode sair caro.

Marcos Rogério precisará se proteger também dos próprios aliados

Governantes recém-eleitos costumam cair numa armadilha, a de acreditar que os maiores problemas virão só dos adversários. Muitas dificuldades administrativas começam entre aqueles que ajudaram a vencer e passam a tratar o apoio como um crédito a ser cobrado. Uns querem cargos, outros desejam influência sobre determinadas secretarias, e há quem espere participar das decisões ou ter acesso privilegiado ao círculo do governo. Apoiar um candidato não é condenável, nem é ilegítimo reivindicar participação na administração, mas a cobrança passa do limite quando deixa de lado o interesse coletivo.

Desde o início, Marcos Rogério precisará definir quais compromissos pode assumir e quais não serão negociados. Se ceder a todas as pressões, perderá autoridade, e se ignorar aliados e Legislativo poderá ter dificuldade para aprovar suas propostas. Se deixar grupos disputarem o controle de secretarias e autarquias, arrisca criar conflitos dentro do próprio governo. Essa é uma das contradições da política, pois o governante precisa de alianças para administrar sem permitir que elas se tornem instrumentos de domínio sobre o Estado, e sua autoridade se mede também pela capacidade de contrariar interesses quando o Estado exige.

Governar sem vender a alma ao diabo

Se o novo chefe da Casa Civil conseguir manter uma relação estável com o Legislativo, proteger o governador de exigências indevidas, manter a administração funcionando e impedir que acordos políticos virem instrumento de favorecimento, terá feito algo que muitos tentaram e poucos alcançaram. Enquanto isso, os corredores do poder continuarão recebendo os apressados, os experientes, os oportunistas, os competentes e aqueles que já têm um padrinho para cada ocasião, todos querendo chegar primeiro. Só que existe um detalhe que muita gente esquece, e é que na política quem chega primeiro nem sempre bebe água limpa, porque às vezes é justamente ele quem começa a sujar a água que os outros terão de beber.

Marcos Rogério assume o governo em 6 de janeiro de 2027, e a nova Assembleia toma posse em 1º de fevereiro.

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Sua honestidade é brutal e bela. Mantenha a nobreza em suas atitudes e veja como o reconhecimento vem de forma natural. Seu carisma atrairá aliados. Lembre-se que cada passo conta na sua jornada de evolução e autoconhecimento.
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Sua honestidade é pura. A empatia é sua ferramenta para curar relacionamentos e espalhar paz por onde passar. A compaixão curará feridas. Lembre-se que cada passo conta na sua jornada de evolução e autoconhecimento.
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