Porto Velho e a violência que atravessa os espaços de ensino

    Morte de professora dentro de universidade em Porto Velho recoloca a segurança de docentes no centro da discussão nacional.
    Porto Velho e a violência que atravessa os espaços de ensino
    Reprodução Internet

    Porto Velho amanheceu marcada por um crime que rompeu a rotina acadêmica e atingiu diretamente a comunidade universitária de Rondônia, quando na noite de 6 de fevereiro de 2026 a professora de Direito Juliana Santiago, de 41 anos, foi morta a facadas dentro de uma sala de aula do Centro Universitário Aparício Carvalho, conhecido como Fimca, transformando um espaço associado ao estudo e ao diálogo em palco de violência extrema.

    O autor do ataque, identificado como João Júnior, era aluno da instituição e foi contido por colegas logo após a agressão, sendo preso em flagrante pela Polícia Militar, enquanto a professora ainda chegou a ser socorrida e levada em estado grave ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos, e a universidade suspendeu as atividades por três dias em respeito à memória da docente, ao mesmo tempo em que as autoridades iniciaram investigação para apurar a motivação do crime.

    O que ocorreu em Porto Velho não está isolado no tempo, porque nos últimos anos diferentes estados brasileiros registraram agressões contra professores e estudantes dentro de escolas e universidades, incluindo ataques com armas brancas, o que indica que a violência, antes associada principalmente ao ambiente externo, tem alcançado também salas de aula, corredores e pátios, alterando a percepção de segurança de quem trabalha e estuda nesses espaços.

    Casos anteriores, como o ocorrido na Escola Estadual Thomazia Montoro, em São Paulo, em 2023, quando uma professora foi morta e outras pessoas ficaram feridas, mostram que a vulnerabilidade de profissionais da educação não se limita a uma região específica, mas integra um problema mais amplo que envolve relações escolares, conflitos interpessoais e ausência de mecanismos eficazes de prevenção.

    Há anos docentes relatam dificuldades que vão além do conteúdo ministrado, enfrentando sobrecarga de trabalho, turmas numerosas, carência de apoio emocional e episódios de hostilidade verbal ou intimidação, situações que muitas vezes começam de forma aparentemente pequena, como desentendimentos ou frustrações acadêmicas, mas que em determinados contextos podem escalar para comportamentos agressivos, afetando o ambiente de aprendizagem e a própria permanência de profissionais na carreira.

    Quando um crime como esse ocorre dentro de uma universidade, ele expõe a necessidade de revisão de protocolos de segurança, de acompanhamento psicológico e de canais permanentes de escuta, porque conflitos não surgem de forma repentina, eles costumam apresentar sinais prévios que exigem atenção institucional, formação adequada de equipes e articulação entre direção, docentes e estudantes para identificação de riscos.

    Juliana Santiago atuava como professora de Direito e também era escrivã da Polícia Civil de Rondônia, conciliando atividades acadêmicas e serviço público, e sua trajetória profissional estava vinculada à formação de novos profissionais e ao trabalho na segurança, o que amplia o alcance simbólico do ocorrido, já que a violência atingiu alguém que dedicava sua rotina tanto à educação quanto à aplicação da lei.

    O fato de o crime ter ocorrido em sala de aula altera a forma como muitos professores percebem seu próprio ambiente de trabalho, porque o espaço destinado ao ensino pressupõe diálogo e construção de conhecimento, e quando esse ambiente se torna vulnerável a agressões letais, a sensação de proteção institucional passa a ser questionada por quem depende da universidade para exercer sua profissão com tranquilidade.

    Enquanto a investigação busca esclarecer as circunstâncias e a motivação do ataque, a morte de Juliana permanece como um marco doloroso para a comunidade acadêmica de Rondônia, inserindo Porto Velho em um contexto mais amplo de episódios de violência em instituições de ensino no Brasil e recolocando a segurança de docentes e estudantes no centro das preocupações relacionadas à educação.

    Back To Top