A música sertaneja é hoje o gênero mais ouvido do Brasil, com o cantor Panda, nome artístico de Jonathan Scarello dos Anjos, no topo das plataformas de streaming com a faixa Eu Te Seguro, conforme levantamento da Pró-Música Brasil. O caminho até chegar a esse patamar levou quase um século de transformações e cinco grandes fases identificadas por pesquisadores do tema.
O ponto de partida costuma ser situado em 1929, quando o folclorista Cornélio Pires financiou do próprio bolso a gravação de Jorginho do Sertão, interpretada pela dupla Mariano e Caçula, após nenhuma gravadora aceitar o projeto. A partir daí, o gênero percorreu o rádio rural, as duplas romantizadas dos anos 1980, como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Rick e Renner, e chegou ao sertanejo universitário do século 21, com artistas solos, batidas pop e influências do funk e do reggaeton.
Para o historiador Gustavo Alonso, professor da Universidade Federal de Pernambuco, o gênero sempre se renovou por meio da incorporação de elementos de outros estilos e origens. O professor da USP Ivan Vilela aponta que cada fase acompanhou o deslocamento do público do campo para as cidades, moldando as letras conforme o contexto social, do relato do trabalho agrícola à exaltação do consumo ostentatório. A fase mais recente, o agronejo, une batidas eletrônicas à valorização do agronegócio e representa, segundo Vilela, uma apropriação do gênero pela extrema-direita.
Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp

















