Jair Montes, presidente estadual do Avante em Rondônia, confirmou nesta terça-feira, 4 de agosto, que o filho, Jair Montes Júnior, foi escolhido em convenção para disputar uma das oito vagas do Estado na Câmara dos Deputados.
A notícia chega em tom de desafio. Jair Montes apresenta o nome do filho como quem já sabe que vai brigar por espaço entre os adversários, mas o momento escolhido pesa tanto quanto o próprio anúncio. É justamente agora, nas semanas em que os partidos decidem quem vai receber dinheiro, estrutura e propaganda paga com recurso público, que o Avante monta sua lista de prioridades para 2026.
Esse detalhe muda o peso do anúncio.
Jair Montes Júnior não entra como mais um nome perdido em convenção. Ele chega apresentado pelo próprio pai, que comanda o Avante no Estado e participa da montagem das candidaturas e das articulações da legenda em Rondônia. A proximidade familiar, isolada, não prova nada de errado. Mas ela obriga o partido a explicar os critérios que vai usar para decidir quem recebe o quê.
O Avante precisa dizer quanto pretende destinar à candidatura do filho do presidente estadual, que tratamento vai dar aos demais concorrentes e em que condições Jair Montes Júnior vai disputar a vaga em Brasília. Para 2026, cerca de R$ 4,9 bilhões em dinheiro público foram reservados para financiar campanhas em todo o país, e cada partido decide internamente para onde parte desse valor vai.
A provocação pode até funcionar bem em vídeo de campanha. Só que o dinheiro eleitoral deixa rastro. Receita, despesa, empresa contratada, material de propaganda, viagem, equipe contratada, tudo isso vai ter que aparecer na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral.
Não existe, até este momento, nenhum elemento que sustente falar em fraude, irregularidade ou candidatura fictícia. Mas ela não livra o Avante de explicar por que o filho do presidente estadual vai concorrer justamente num ano em que a legenda decide como distribuir espaço, propaganda e verba entre seus candidatos.
Jair Montes abriu a disputa como quem manda um recado aos adversários. Só que a resposta mais esperada não vai vir em vídeo nem em discurso de convenção. Vai vir nos documentos financeiros que o Avante vai apresentar à Justiça Eleitoral, nos critérios que o partido adotar para repartir o fundo e no valor que, de fato, for destinado à campanha do filho do presidente estadual.
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