O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, que não aceita a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas, conforme definição adotada pelo governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu em resposta a acusações da Casa Branca de que o Brasil estaria falhando no combate às duas facções.
Em discurso, Lula citou os atos do 8 de Janeiro e o suposto planejamento de assassinato de autoridades como exemplos do que considera terrorismo de fato, mencionando que havia planos contra sua vida, a do vice-presidente Geraldo Alckmin e a do ministro Alexandre de Moraes. Para o presidente, as facções criminosas brasileiras não se enquadram na definição por não terem motivação ideológica ou política.
A divergência entre os dois países tem base legal. Nos Estados Unidos, um grupo pode ser designado como terrorista se for estrangeiro, praticar ou ter capacidade de praticar atos terroristas e representar ameaça à segurança nacional americana. No Brasil, a lei exige que os atos violentos sejam motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, com o objetivo de provocar terror social. Como o PCC e o CV atuam principalmente para obter lucro por meio do tráfico de drogas, armas e crimes financeiros, sem viés ideológico, eles não se enquadram na definição brasileira de terrorismo.
Com informações de G1 Mundo.
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