Muito antes de se tornar um dos homens mais poderosos de Roma, Júlio César já havia descoberto que conquistar a simpatia dos romanos custava caro. Ele não possuía uma fortuna comparável à dos grandes aristocratas de seu tempo, mas isso não o impediu de gastar quantias enormes para ganhar prestígio e abrir caminho na política.
Em 65 a.C., quando ocupou o cargo de edil, responsável também pela organização de festas e jogos, César aproveitou a oportunidade para conquistar a população. Promoveu espetáculos de gladiadores, cerimônias e outras atrações que exigiam muito dinheiro. Boa parte das despesas foi financiada por empréstimos, aumentando uma dívida que já preocupava seus credores.
Os historiadores antigos Plutarco e Suetônio relatam os gastos excessivos de César e suas dificuldades financeiras. Entre os homens que o ajudaram estava Marco Licínio Crasso, considerado um dos mais ricos de Roma. A relação entre os dois envolvia interesses políticos, pois Crasso tinha recursos financeiros, enquanto César conquistava prestígio e avançava na carreira.
Na República Romana, oferecer jogos e conquistar a simpatia dos eleitores podia fazer diferença nas disputas por cargos. Esses postos, além de prestígio, abriam caminho para o governo de províncias e o comando de tropas, funções que também ofereciam oportunidades de enriquecimento. César conhecia bem esse funcionamento e continuou sua carreira mesmo acumulando dívidas.
Depois de exercer a pretura, recebeu o governo da Hispânia Ulterior, território romano situado na Península Ibérica. Antes de partir, porém, enfrentou dificuldades com seus credores. Segundo Plutarco, Crasso ofereceu garantias financeiras que permitiram sua viagem.
Na Hispânia, César comandou campanhas militares e conseguiu recursos que melhoraram sua situação financeira. Quando retornou a Roma, em 60 a.C., tinha maior prestígio militar e condições de disputar um dos cargos mais importantes da República, o consulado.
Mas vencer essa eleição exigia mais do que popularidade. César precisava de aliados capazes de enfrentar a resistência de parte do Senado, e encontrou essa oportunidade em dois homens que, apesar de suas diferenças, também tinham interesses contrariados pelos senadores.
Um deles era Pompeu, general que havia conquistado importantes vitórias no Oriente. Seus soldados esperavam receber terras pelos serviços prestados, enquanto ele buscava a aprovação das medidas tomadas durante suas campanhas. Parte do Senado resistia às suas reivindicações.
O outro era Crasso, que enfrentava dificuldades para conseguir mudanças nas condições de contratos de arrecadação de impostos mantidos por empresários ligados a ele. Embora fossem rivais, Pompeu e Crasso tinham motivos para aceitar uma aproximação.
César conseguiu reunir os dois em um entendimento político firmado em 60 a.C. O acordo não criou um órgão oficial de governo, mas estabeleceu uma aliança entre três homens com grande influência em Roma. Mais tarde, essa união ficou conhecida como Primeiro Triunvirato.
O compromisso ajudou César a conquistar o consulado em 59 a.C. Durante seu mandato, ele trabalhou pela aprovação de medidas que interessavam aos aliados, incluindo a distribuição de terras e o reconhecimento das decisões de Pompeu no Oriente. Também foram aprovadas mudanças favoráveis aos interesses financeiros defendidos por Crasso.
A aproximação com Pompeu ganhou ainda um vínculo familiar quando o general se casou com Júlia, filha de César. O casamento ajudou a estreitar a relação entre os dois, embora a aliança continuasse ligada aos interesses políticos de cada um.
Ao terminar seu mandato como cônsul, César recebeu o governo de províncias que incluíam a Gália Cisalpina e a Ilíria, inicialmente por cinco anos. Posteriormente, a Gália Transalpina também ficou sob seu comando.
A nomeação lhe deu acesso a legiões romanas e abriu caminho para as campanhas militares na Gália, iniciadas em 58 a.C. Nos anos seguintes, essas conquistas aumentariam sua riqueza, seu prestígio e a influência que exercia sobre seus soldados, até o confronto com Pompeu e a guerra civil que mudaria o destino da República Romana.
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