E-SIM

Uso de fake news patrocinada no Instagram chama atenção para disputa em torno da licitação da ALERO

Impulsionamento seletivo revela método organizado para espalhar suspeitas sem lastro factual
Uso de fake news patrocinada no Instagram chama atenção para disputa em torno da licitação da ALERO
Reprodução Internet

O uso de fake news como instrumento político deixou de ser um improviso ocasional e passou a operar de forma estruturada, com método, planejamento e investimento financeiro, e em Rondônia o episódio mais recente envolve a circulação patrocinada de um conteúdo opinativo publicado pelo site Pauta Diária, sediado no Centro-Oeste do país, que tenta lançar suspeitas sobre a licitação de publicidade institucional da Assembleia Legislativa de Rondônia, sendo relevante observar que a preocupação maior não reside apenas no conteúdo divulgado, mas na engrenagem montada para fazê-lo alcançar o público certo.

Reportagens da imprensa local passaram a examinar os dados disponíveis na Biblioteca de Anúncios da Meta Ads, onde se identifica um comportamento atípico, pois um portal localizado fora do estado decidiu impulsionar, pela primeira vez desde a criação de suas redes sociais, uma única reportagem, e não de forma ampla ou difusa, mas de maneira cuidadosamente direcionada, atingindo exclusivamente usuários de Rondônia, justamente onde a licitação está em curso e onde o impacto político tende a ser imediato.

O texto patrocinado recorre a um repertório conhecido, baseado em insinuações genéricas, ao falar em direcionamento, sugerir falta de transparência e insinuar decisões tomadas nos bastidores, entretanto não apresenta despacho judicial, relatório de órgão de controle ou qualquer documento capaz de sustentar as acusações levantadas, ainda que circule com aparência de notícia e agora amplificado por impulsionamento pago, o que lhe confere alcance artificial e aparência de relevância.

O efeito dessa prática também não é novidade, pois a repetição de suspeitas sem prova cria um ambiente de desconfiança que passa a existir independentemente dos fatos objetivos, pouco importando que a licitação tenha se estendido por mais de um ano, prazo superior à média justamente em razão de impugnações, revisões técnicas e acompanhamento jurídico, dados que se tornam secundários diante de uma narrativa alarmista construída para causar ruído.

O contexto econômico do certame contribui para tornar o episódio ainda mais elucidativo, já que entre as empresas participantes apenas uma concentra atuação nos estados onde o portal mantém presença editorial, e mesmo após ser derrotada tecnicamente, a Z3 Publicidade não é apresentada como parte interessada, deslocando-se assim o foco do resultado para o processo, expediente recorrente quando o mérito não sustenta o discurso.

Especialistas em comunicação política têm apontado que a fake news contemporânea raramente se apresenta como uma mentira explícita, pois opera pelo acúmulo de dúvidas, pela repetição de termos vagos e, sobretudo, pelo uso estratégico de impulsionamento pago para alcançar públicos específicos, sendo assim o patrocínio não busca esclarecer ou informar, mas fixar suspeitas de forma persistente.

Nesse ambiente, o jornalismo perde sua função social quando se confunde com estratégia de pressão, uma vez que o patrocínio seletivo de conteúdo opinativo transforma a crítica legítima em instrumento de ataque, enquanto o leitor deixa de ser destinatário de informação e passa a ser alvo de uma campanha orientada por interesses particulares.

A licitação da Assembleia Legislativa, conforme informado pela imprensa rondoniense, segue dentro do rito legal, com possibilidade de recursos, fiscalização ativa e ausência de qualquer decisão que aponte ilegalidade, e o que se impõe ao debate, portanto, é uma questão mais ampla e incômoda, a normalização do uso de desinformação patrocinada como arma política, pois quando a mentira não convence sozinha, paga-se para que ela alcance mais gente, sendo esse o alerta que Rondônia começa a perceber com maior nitidez.

Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp

Back To Top