Em menos de cinco anos, o Amazonas acumulou uma série de emergências que afetaram saúde, transporte e abastecimento de sua população. O ciclo começou em janeiro de 2021, quando a segunda onda da Covid-19 levou Manaus ao colapso hospitalar por falta de oxigênio medicinal. O consumo diário chegou a 76,5 mil metros cúbicos, enquanto a produção local não ultrapassava 28,2 mil metros cúbicos por dia. Mais de 500 pacientes foram transferidos às pressas para outros estados, e o episódio resultou em ações judiciais que pedem indenização de R$ 4 bilhões contra a União, o governo estadual e a Prefeitura de Manaus.
Ainda em 2021, cinco meses após a crise do oxigênio, o Rio Negro atingiu 30,02 metros em Manaus, o maior nível desde o início das medições em 1902. A cheia afetou mais de 455 mil pessoas, inundou o Centro Histórico da capital e obrigou a construção de cerca de 13 mil metros de pontes e passarelas de madeira para circulação de pedestres. Em 2023, o cenário se inverteu e o mesmo rio chegou a 13,59 metros, o menor nível em 121 anos, deixando os 62 municípios do estado em situação de emergência e impactando mais de 600 mil pessoas.
Em 2024, a seca superou a marca anterior e o rio baixou a 12,11 metros, com prejuízos estimados em mais de R$ 600 milhões e mais de 800 mil pessoas afetadas. O ano também registrou mais de 25 mil focos de queimadas, o maior número em 26 anos segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Em outubro de 2026, o governo estadual decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias após nova estiagem isolar mais de 600 comunidades no interior, com acidentes fluviais causando perda de medicamentos e cilindros de oxigênio. A fumaça de incêndios florestais voltou a encobrir Manaus, provocando a suspensão de aulas e o cancelamento de eventos ao ar livre.
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