Marcos Rocha entra na eleição de 2026 como o governador que nunca disputou um voto

A caminhada do chefe do Executivo chega ao fim cercada por risco real de fracasso, ruídos internos e uma disputa ao Senado que promete ser das mais duras do país.
Marcos Rocha entra na eleição de 2026 como o governador que nunca disputou um voto
Reprodução Internet

Oito anos depois de assumir o comando de Rondônia levado pela onda bolsonarista de 2018, Marcos Rocha chega a 2026 com a imagem desgastada e um silêncio incômodo dentro do próprio grupo. Em Porto Velho, na conversa de calçada, muita gente ainda lembra que ele nunca disputou um cargo antes de ser lançado ao governo. E é justamente essa falta de musculatura eleitoral que coloca sua tentativa de ir ao Senado no lugar mais perigoso desde que decidiu entrar para a vida pública.

Rocha formou um time de militares para tocar o governo, mas, ao longo dos anos, esse estilo fechado e pouco sensível ao jogo político acabou criando distância. Em reuniões, lideranças reclamam que o Estado foi administrado com pouca escuta e muita centralização, onde até temas delicados passavam primeiro pelo crivo da primeira-dama. No interior, essa percepção se espalhou, especialmente entre prefeitos que esperavam mais articulação num período de tantas disputas por Brasília.

Enquanto isso, Sérgio Gonçalves foi sendo deixado de lado. Mesmo ocupando posição estratégica, optou por não entrar em atritos, mantendo uma postura de silêncio que, na prática, o livra dos desgastes que hoje respingam sobre o Palácio Rio Madeira. Analistas consultados apontam que essa escolha pode pesar no tabuleiro, porque Sérgio chega aos bastidores com maior trânsito e menos rejeição, algo valioso numa eleição apertada como a que se avizinha.

Marcos Rocha tenta ampliar sua base, mas faz isso de maneira tímida, quase como quem caminha no escuro. Para quem tem a estrutura de um Estado na mão, deveria estar mais à frente, só que a máquina não empurrou o governador como muitos imaginavam. A percepção de cansaço da gestão já aparece em rodas de conversa desde Ji-Paraná até Guajará-Mirim.

A disputa ao Senado em Rondônia promete ser uma das mais intensas do país, com nomes fortes, grupos preparados e uma sede de vitória que não depende tanto de estrutura, mas de carisma e presença. Aqui, quem pisa nas feiras, conversa no tom de gente e respeita o jeito rondoniense de ser costuma sair ganhando. Por isso, 2026 não chega com favoritismos definitivos; chega com um campo armado onde cada gesto pode decidir o futuro político de quem está em evidência.

O que está por vir vai mostrar se Marcos Rocha conseguirá convencer o eleitorado rondoniense sem a onda que o carregou em 2018, ou se ficará marcado como o primeiro governador a encerrar dois mandatos sem conseguir transformar esse capital em votos próprios. Na prática, a eleição será o termômetro dessa resposta. Aqui na Amazônia, onde a política corre junto com as águas do Madeira, cada movimento tem seu peso, e o desfecho dessa história ainda está sendo escrito.

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