Morre Manoel Carlos, autor que transformou o cotidiano em grandes histórias da TV

Escritor marcou gerações com novelas centradas em relações humanas e personagens femininas fortes; ele tinha 92 anos
Morre Manoel Carlos, autor que transformou o cotidiano em grandes histórias da TV
Reprodução Internet

Morreu aos 92 anos o autor Manoel Carlos, um dos nomes mais importantes da dramaturgia brasileira. A morte foi confirmada neste sábado, no Rio de Janeiro. Manoel Carlos enfrentava problemas de saúde relacionados à idade e vivia afastado da vida pública havia alguns anos.

Conhecido pelo estilo intimista e pelo olhar atento ao cotidiano, Manoel Carlos construiu uma carreira marcada por histórias simples, porém profundas. Seus textos falavam de família, amor, conflitos geracionais e escolhas difíceis. Tudo isso ambientado em cenários reconhecíveis, principalmente o Leblon, no Rio, que virou quase um personagem fixo de suas novelas.

O autor ficou especialmente famoso por criar protagonistas femininas fortes, complexas e cheias de contradições. As “Helenas”, presentes em várias de suas obras, tornaram-se uma marca registrada. Cada uma refletia dilemas diferentes da mulher brasileira em seu tempo, sempre com densidade emocional e diálogo direto com o público.

Ao longo da carreira, Manoel Carlos escreveu novelas que entraram para a história da televisão, exibidas no horário nobre da TV Globo. Seus trabalhos alcançaram altos índices de audiência e também reconhecimento da crítica, justamente por apostar menos em reviravoltas espetaculares e mais na construção dos personagens.

Antes de se dedicar integralmente à teledramaturgia, Manoel Carlos trabalhou como jornalista e roteirista de cinema. Essa formação ajudou a moldar o estilo direto, observador e sensível que levou para a televisão. Ele acreditava que boas histórias nasciam da escuta e da observação da vida real.

Nos últimos anos, o autor conviveu com o avanço do Parkinson e se afastou definitivamente das novelas. Mesmo assim, seu legado permaneceu vivo nas reprises constantes de suas obras e na influência exercida sobre novas gerações de autores.

A morte de Manoel Carlos encerra um capítulo importante da dramaturgia brasileira. Ficam os personagens, os diálogos marcantes e a certeza de que histórias bem contadas, mesmo as mais simples, atravessam o tempo.

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