Porto Velho entre o lixo, a chuva e a política que não dá trégua

Alagamentos avançam enquanto a crise da coleta expõe falhas e acirra disputas
Porto Velho entre o lixo, a chuva e a política que não dá trégua
Reprodução Internet

Porto Velho passou do feriado direto para um cenário que já faz parte do vocabulário da cidade, caos. A crise do lixo, que tomou conta das ruas nas últimas semanas, encontrou agora a força das chuvas de novembro e transformou bairros inteiros em verdadeiros corredores de água. Moradores de áreas que nunca enfrentaram alagamentos amanheceram com a água batendo na canela, vendo o volume subir pelas portas como se a cidade tivesse mudado de mapa da noite para o dia.

Com a coleta funcionando de forma irregular, sacos e entulhos se acumulam nas calçadas e escorrem para os bueiros, acabando por entupir o sistema de drenagem. Nas palavras de um servidor que acompanha o saneamento há anos, a rede não foi feita para receber o peso de tanto resíduo ao mesmo tempo. É uma equação simples, chuva forte, mais lixo nas bocas de lobo, resulta em ruas submersas. E foi isso que aconteceu no Areal, no Novo Horizonte, no Baixa União e em trechos da Zona Sul, onde famílias tiveram que improvisar barreiras de madeira para segurar a água.

Enquanto isso, o prefeito Léo Moraes tenta se afastar da responsabilidade sobre o colapso da coleta, repetindo que não tem culpa pelo acúmulo de lixo. No entanto, a imagem da cidade tomada por sacolas rasgadas e córregos urbanos bloqueados bate de frente com esse discurso. Nos corredores políticos a pressão aumenta, com vereadores cobrando respostas e um deles, conhecido por gravar colegas e secretários às escondidas, mergulhado em polêmicas pessoais após um episódio de violência doméstica.

No fundo, o que move essa engrenagem é um calendário invisível que já começou a girar, 2026. A disputa eleitoral acendeu motores antes da hora e transformou a crise do lixo e os alagamentos em munição. Candidatos que ameaçam estruturas antigas sentem a resistência de forças que operam há décadas e o clima de arapongagem tomou corpo. Há gravações circulando, boatos de operações vindas de Brasília, comparações com a antiga Operação Dominó, tudo sem confirmação oficial, mas suficiente para alimentar conversas no Mercado Cultural, nas calçadas da Sete de Setembro e nos grupos de WhatsApp.

Essa combinação, chuva, lixo e política, começa a mexer até com setores que costumam passar ilesos dessas turbulências. No Judiciário, decisões recentes têm provocado debates entre juristas que veem um distanciamento entre o que se ensina nas faculdades e o que se pratica no dia a dia dos tribunais.

Agora, com mais chuva prevista para os próximos dias, moradores seguem atentos. A água que invade casas hoje é resultado de um problema que começou muito antes da primeira nuvem carregada aparecer no céu. E a resposta para essa situação não depende só da meteorologia, depende das decisões que serão tomadas, ou adiadas, nos gabinetes que comandam Porto Velho.

A cidade segue esperando, com o pé na lama e o olhar atento ao próximo capítulo dessa história.

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