Charles Ponzi chegou aos Estados Unidos sem dinheiro, sem emprego e sem plano. Era um imigrante italiano que mal conseguia se sustentar, mas tinha algo que valia mais do que capital, tinha lábia. No começo dos anos 1920, ele convenceu centenas de pessoas de que seu negócio comprava cupons de selos postais na Itália, onde eram mais baratos, para revendê-los nos EUA com lucro garantido. A promessa era simples e sedutora, e funcionou muito bem, até o dia em que parou de funcionar.
O problema é que Ponzi nunca comprou um único cupom. Ele ficava com o dinheiro dos novos investidores e usava parte dele para pagar os primeiros, criando a ilusão de que o negócio era real. Enquanto novos investidores entravam, o esquema se sustentava. Quando pararam de entrar, tudo desabou. A fraude foi exposta, ele foi preso, perdeu tudo que havia acumulado e ainda foi deportado para a Itália em 1934. Durante a Segunda Guerra, mudou-se para o Brasil, onde trabalhou em empregos modestos até morrer em 1949, na pobreza, num hospital de caridade no Rio de Janeiro. Começou sem nada, enriqueceu às custas de centenas de pessoas e terminou exatamente onde havia começado.
O nome dele virou sinônimo de fraude. Até hoje, qualquer esquema que usa dinheiro de novos investidores para pagar os antigos é chamado de pirâmide de Ponzi. É o tipo de legado que ninguém quer deixar.
Mas ele não foi o único. Bernie Madoff montou o maior esquema do tipo já registrado na história, movimentando bilhões de dólares ao longo de décadas em Wall Street. Era respeitado, admirado e frequentava os círculos mais sofisticados das finanças americanas. Quando a fraude veio à tona, em 2008, o tamanho do estrago surpreendeu até quem investigava esse tipo de crime. Madoff foi preso em 2009 e condenado a 150 anos de prisão. Morreu atrás das grades, em 2021, aos 82 anos.
Elizabeth Holmes seguiu um caminho parecido, só que com uma roupagem mais moderna. Ela fundou a Theranos em 2003, aos 19 anos, prometendo revolucionar os exames de sangue com uma tecnologia que nunca existiu de fato. A empresa chegou a ser avaliada em 9 bilhões de dólares, e Holmes virou capa de revista como a mais jovem bilionária de fortuna própria dos Estados Unidos. Só que ela sabia, desde o início, que a tecnologia não funcionava como anunciava. Apresentou relatórios falsos, enganou investidores, parceiros hospitalares e pacientes. Quando a verdade veio à tona, foi condenada por fraude e passou a cumprir pena.
O que chama atenção nesses três casos não é só o tamanho dos golpes, mas a regularidade do fim. São épocas diferentes, países diferentes, métodos diferentes. Mas o roteiro é o mesmo, alguém que não tinha nada prometeu riqueza para muita gente, ficou rico sozinho por um tempo e acabou destruído pela mesma engrenagem que havia criado. A história ainda não registrou uma exceção.
Fontes: Maiores e Melhores, Cova Aberta, Agência da Notícia









