A Suprema Corte de Cassação de Roma anulou nesta sexta-feira (22) a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil e determinou sua libertação imediata. A informação foi confirmada pelo advogado Fabio Pagnozzi, integrante da defesa da ex-parlamentar.
Em março, a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição. A defesa recorreu e conseguiu reverter a decisão na instância máxima da Justiça italiana. Agora, o processo será enviado ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável por dar parecer favorável ou contrário ao pedido brasileiro no prazo de 45 dias.
O governo brasileiro apresentou o pedido de extradição em junho de 2025, depois que Zambelli deixou o país após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão. A acusação envolve a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça com ajuda do hacker Walter Delgatti.
Depois da condenação, a ex-deputada passou a ser considerada foragida e teve o nome incluído na lista vermelha da Interpol. Ela foi presa na Itália em julho do ano passado durante uma operação conjunta entre a Polícia Federal, a Interpol e autoridades italianas.
Zambelli nega participação no caso e afirma sofrer perseguição política. Ela também responde a outro processo no Brasil relacionado ao porte ilegal de arma e constrangimento ilegal após perseguir um homem armada, em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022. Há outro pedido de extradição ligado a essa condenação, ainda sem decisão da Justiça italiana.
A ex-deputada renunciou ao mandato em dezembro, depois da votação da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara favorável à cassação. O plenário chegou a derrubar a decisão, mas a sessão foi anulada pelo STF e, depois disso, ela apresentou a carta de renúncia.
A Procuradoria-Geral da República acusou Zambelli de planejar a invasão ao sistema do CNJ no início de 2023. Segundo a denúncia, o objetivo seria inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Walter Delgatti confessou a invasão e afirmou ter agido a pedido da ex-deputada. Ele foi condenado a oito anos e três meses de prisão.
A defesa de Zambelli sustenta que a condenação teve como base apenas os depoimentos do hacker, apontados como contraditórios. A ex-parlamentar também afirmou que não existem provas diretas ligando seu nome à invasão do sistema.
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