Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perdeu mais um advogado. José Luís Oliveira Lima, o Juca, deixou a defesa do banqueiro na última sexta-feira, um dia após a Polícia Federal rejeitar formalmente a proposta de delação premiada que ele mesmo vinha negociando. Não é a primeira vez que isso acontece. Em março, outros três advogados já haviam deixado de defender Vorcaro, o que faz do Juca o quarto nome a sair da equipe jurídica do empresário em menos de dois meses.
O advogado não era um profissional qualquer no caso. Lima tem histórico de atuação em acordos de colaboração premiada de grande repercussão na Justiça brasileira, e costuma usar esse mecanismo como instrumento central de defesa. Foi ele quem conduziu a colaboração do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, nas investigações da Operação Lava Jato. A escolha dele para o caso Master tinha, portanto, uma lógica clara, e a saída agora sinaliza que o caminho da delação ficou mais complicado.
O motivo direto da saída foi o posicionamento da Polícia Federal. As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa no dia 6 de maio, mas investigadores da PF e da Procuradoria-Geral da República consideraram fracas as informações que Vorcaro pretendia fornecer. Segundo investigadores, a PF identificou uma tentativa de ocultar informações e nomes nos documentos entregues, o que motivou o pedido para que Vorcaro retornasse ao presídio federal.
A relação entre Juca e as autoridades do caso também não era tranquila. O advogado acumulou desgastes com o ministro André Mendonça, do STF, relator dos inquéritos do Master, e os dois chegaram a ter uma discussão ríspida durante uma audiência. Um dos pontos de atrito foi a forma de devolução dos recursos, já que a proposta previa a devolução em partes ao longo de dez anos, enquanto os investigadores exigiam que isso fosse feito de forma imediata.
Apesar da rejeição da PF, o caso não está totalmente encerrado. A Procuradoria-Geral da República segue nas tratativas e aguarda novos elementos apontados pela defesa para decidir se dará continuidade ao procedimento, ainda que isso não signifique que a PGR aceitará a colaboração. Por enquanto, o advogado Sérgio Leonardo, pessoa de confiança de Vorcaro, assumiu a defesa enquanto uma nova equipe não é definida.
Vorcaro está preso desde o início de março no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal ligado ao Banco Master. Na primeira fase, em novembro de 2025, foram apreendidos carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo. Já em janeiro de 2026, o STF autorizou buscas em cinco estados e bloqueou R$ 5,7 bilhões em ativos ligados ao empresário.
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