Léo Moraes gosta de estar onde o povo está. Ele aparece, sorri, sobe no palco e comemora entrega. Essa é a marca do prefeito de Porto Velho. O problema começa quando a presença vira rotina maior que a solução.
Ninguém governa a capital de Rondônia sem aparecer. Isso é fato. Porto Velho exige visibilidade. Contudo, governar não é só ocupar agenda e rede social. Governar é resolver o que não rende foto, não toca música e não junta plateia.
Enquanto a prefeitura investe pesado em eventos, bairros seguem convivendo com rua esburacada, mato alto, esgoto a céu aberto e iluminação falhando. A dona Maria não quer saber quem cantou no fim de semana. Ela quer saber quando o caminhão do lixo vai passar direito na rua dela.
Léo Moraes escolheu a política do movimento. A cidade vive ocupada. Sempre tem algo acontecendo. Isso gera renda para alguns setores, é verdade. Hotéis lotam, bares vendem, ambulantes trabalham. Mas economia de evento não sustenta cidade inteira. Passa o som, desmonta o palco e o problema continua ali, esperando segunda-feira.
Outro ponto que pesa é a centralização. Quase tudo gira em torno do prefeito. Secretarias aparecem pouco. Técnicos falam menos. A gestão fica personalizada demais. Quando dá certo, o crédito é dele. Quando falha, a cobrança também cai direto no colo dele. E tem caído.
Nos bastidores, a reclamação não é só política. Servidor reclama de falta de planejamento. Morador reclama de resposta lenta. Vereador reclama de dificuldade de diálogo. Isso não aparece no Instagram, mas aparece na rua, na feira, no ônibus lotado.
Léo Moraes também escolheu não ser coadjuvante de ninguém. Não quis entrar em projeto alheio. Isso mostra personalidade, mas personalidade sem articulação vira isolamento. Porto Velho é grande, mas não governa Rondônia sozinha. E política estadual cobra conta de quem não constrói ponte.
O desgaste não vem de oposição organizada. Vem do cotidiano. Da fila que não anda. Do posto que falta médico. Da obra que demora. Da promessa que escorre com a chuva. É ali que a popularidade começa a sangrar, devagar e silenciosa.
Léo Moraes ainda tem capital político. Ainda tem presença. Ainda tem voz. Mas prefeito não vive de aplauso. Vive de entrega. A cidade não quer espetáculo permanente. Quer solução permanente.
Se o palco continuar ocupando mais espaço que a prefeitura, Porto Velho vai aplaudir menos e cobrar mais. E cobrança, diferente de festa, não acaba quando a música para.


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