O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou quatro investigados na operação “Labirinto de Bronze”. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e atuação de milícia privada em municípios de Rondônia.
Segundo a denúncia, entre janeiro de 2019 e maio de 2026, parte dos acusados teria integrado um grupo armado de caráter estável e permanente, com atuação ligada a conflitos agrários em Buritis, Ariquemes, Machadinho do Oeste e Cujubim.
De acordo com o MPRO, o grupo seria usado para vigiar propriedades rurais, intimidar e retirar ocupantes, enfrentar grupos rivais e realizar outras ações violentas relacionadas a disputas por terras. A investigação também aponta a prestação remunerada de segurança armada.
As apurações identificaram ainda suspeitas de ocultação e dissimulação de patrimônio por meio de imóveis rurais e urbanos, gado, veículos, movimentações bancárias, uso de pessoa jurídica e registro de bens e direitos em nome de terceiros.
A denúncia descreve sete fatos relacionados à lavagem de dinheiro, que teriam ocorrido por meio de operações distintas. Entre os bens citados estão 1.611 cabeças de gado, sete veículos, propriedades rurais e valores movimentados em contas bancárias e por uma empresa que, segundo o Ministério Público, teria sido utilizada para ocultação patrimonial.
Conforme a participação atribuída a cada denunciado, o MPRO apontou crimes previstos no artigo 288-A do Código Penal, que trata de constituição, organização, integração e manutenção de milícia privada, e no artigo 1º da Lei nº 9.613/1998, referente à lavagem de dinheiro.
O Ministério Público pediu à Justiça o recebimento da denúncia, a citação dos acusados e o andamento do processo. Ao final, requer a condenação pelos crimes atribuídos a cada um deles.
O MPRO também pediu a perda de bens, direitos e valores que estariam relacionados direta ou indiretamente aos crimes investigados. O patrimônio alcançado pelas medidas judiciais soma, até o momento, R$ 31.370.845,49.
A operação “Labirinto de Bronze” teve a primeira fase realizada pelo Gaeco em 26 de maio de 2026, quando foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho. A Justiça também autorizou medidas sobre patrimônio, incluindo bloqueios financeiros, imóveis, veículos e 1.611 cabeças de gado.
Em setembro de 2026, uma segunda fase foi realizada após novas análises de aparelhos eletrônicos e documentos recolhidos durante a investigação. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão em Ariquemes, além da aplicação de outras medidas cautelares.
A Justiça também autorizou medida patrimonial complementar envolvendo o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e direitos econômicos ligados a uma empresa sediada em Aparecida de Goiânia, em Goiás.
Os denunciados ainda responderão às acusações no processo, e eventual responsabilidade criminal dependerá de decisão da Justiça.
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