Uma megaoperação policial contra extorsão e lavagem de dinheiro cumpriu 131 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná nesta quarta-feira (27). Pelo menos 14 pessoas foram presas durante a ação.
Pelo que apontam as investigações, uma organização criminosa formada por colombianos, venezuelanos e brasileiros praticava agiotagem e outros crimes contra mais de 320 vítimas. O grupo distribuía panfletos e anunciava empréstimos nas redes sociais para atrair quem precisava de dinheiro, mas depois agia com violência na hora de cobrar as dívidas.
A ação recebeu o nome de “Capital Coativo” e foi liderada pela Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo a instituição, a quadrilha atuava há mais de cinco anos emprestando dinheiro com juros diários que chegavam a 20%.
Em Minas Gerais, as prisões aconteceram em municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Uberlândia e Araguari, no Triângulo Mineiro, em Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado, e em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Também houve mandados em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu, no Paraná.
As investigações mostraram que os agiotas emprestavam dinheiro principalmente para comerciantes com ponto fixo, porque isso facilitava a cobrança ilegal. Uma das vítimas pegou R$ 350 emprestados e, por causa dos juros abusivos, já devia mais de R$ 25 mil.
Segundo o delegado Raphael Souza Boechat Capita, quando a dívida ficava impossível de pagar, o grupo roubava bens dos comerciantes, invadia casas e ameaçava as vítimas por mensagens de WhatsApp. Os criminosos também fotografavam o local de trabalho e a residência das pessoas, ameaçavam parentes e perseguiam as vítimas por vários lugares.
Ainda de acordo com a polícia, eles faziam cartazes com as fotos das vítimas e espalhavam pelo bairro onde elas moravam. Houve casos em que pichavam o muro dos devedores com ameaças de morte.
O delegado afirmou que os suspeitos podem responder por usura pecuniária, que é a agiotagem conhecida popularmente, e ainda por roubo, extorsão, invasão de domicílio, perseguição, constrangimento ilegal, lesão corporal e posse ou porte de arma de fogo.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam 25 motos, R$ 150 mil em espécie, cédulas de outros países, celulares e computadores, além de uma faca, uma espada e uma arma. As investigações foram conduzidas pela 6ª Delegacia de Polícia Civil de Contagem, na Grande BH, e cerca de 340 policiais participaram da ação.
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