Marcos Ramos de Lima, de 53 anos, conhecido como “Marcão do Nacional”, foi preso novamente pela Polícia Militar na manhã de sábado, 11 de julho, em Porto Velho. Ele é investigado por violência doméstica, lesão corporal, ameaça, cárcere privado e estupro contra uma mulher com quem mantinha um relacionamento havia cerca de dois meses.
A prisão ocorreu na região do loteamento Porto Park, próximo ao bairro Porto Cristo, na zona Leste da capital. Policiais do 5º Batalhão começaram as buscas depois que um homem foi até o quartel e contou ter presenciado agressões contra a vítima.
Segundo o registro da ocorrência, a testemunha também avisou que Marcos poderia fugir antes da chegada da equipe. As informações foram repassadas ao Centro Integrado de Operações Policiais, que auxiliou os militares na procura pelo suspeito.
Marcos foi encontrado em um pequeno cômodo nas proximidades do Porto Cristo. A Polícia Militar informou que ele tentou escapar durante a abordagem, mas acabou alcançado e preso.
Aos policiais, o homem teria confirmado que se relacionava com a vítima e que os dois discutiram depois que ela decidiu ir embora. Ele também teria admitido que a atingiu com um pedaço de madeira.
O relato apresentado pela mulher descreve uma sequência mais grave. Ela contou que tentou buscar ajuda na Casa de Profeta Missão Resgate, mas foi ameaçada de morte e agredida com um cabo de foice. As agressões teriam deixado ferimentos nas costas e em um dos braços.
A vítima disse ainda que foi levada novamente ao imóvel onde estava com o suspeito. Nesse endereço, segundo a denúncia registrada, ela teria sido impedida de sair e obrigada a manter relação sexual contra a própria vontade.
Os fatos narrados podem ser enquadrados, em tese, como ameaça, lesão corporal no ambiente doméstico, cárcere privado e estupro. A definição dos crimes dependerá da investigação, dos exames realizados, dos depoimentos e da análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Quando foi abordado, Marcos usava tornozeleira eletrônica. A ocorrência informa que ele cumpria pena no regime semiaberto e recebia acompanhamento da Casa de Profeta Missão Resgate, instituição que teria deixado após iniciar o relacionamento com a mulher.
Passagem pelo sistema prisional
Marcos Ramos de Lima é conhecido há anos no meio policial de Rondônia. Conforme as informações reunidas pelos agentes responsáveis pela ocorrência, ele possui condenações anteriores por homicídio, latrocínio, roubo e estupro.
Uma consulta ao Diário da Justiça de Rondônia mostra que o nome Marcos Ramos de Lima já apareceu, em janeiro de 2018, como paciente de um pedido de habeas corpus relacionado à Vara de Execuções e Contravenções Penais de Porto Velho. O documento confirma que ele estava ligado a um processo de execução penal naquele período, embora o trecho disponível não apresente a relação completa das penas.
Em janeiro de 2026, ele teria recebido autorização judicial para avançar do regime fechado ao semiaberto, passando a cumprir as condições determinadas pela Justiça com fiscalização eletrônica. A nova prisão ocorreu menos de seis meses depois dessa mudança.
A tornozeleira não impede fisicamente que a pessoa deixe uma área ou pratique uma conduta proibida. O equipamento registra dados de localização e pode indicar violações das condições fixadas pela Justiça, informações que depois são analisadas pelos órgãos responsáveis pela execução da pena.
A prisão por um novo fato também não cancela automaticamente o regime concedido anteriormente. A Vara de Execuções Penais deverá receber as informações, examinar o registro policial e decidir se houve falta grave ou descumprimento das regras impostas ao apenado.
Prisão e encaminhamento
Após ser contido, Marcos foi levado ao Departamento de Flagrantes da Polícia Civil. A vítima também seria encaminhada para atendimento e para os procedimentos necessários à apuração das agressões e da suspeita de violência sexual.
Casos dessa natureza costumam exigir exame de corpo de delito, coleta de depoimentos e busca por outros elementos, como mensagens, imagens, registros da tornozeleira, objetos encontrados no imóvel e declarações de testemunhas.
A Lei Maria da Penha permite a adoção de medidas de proteção quando existe risco à integridade física, psicológica, moral ou sexual da mulher. Entre as providências possíveis estão o afastamento do investigado, a proibição de contato e a restrição de aproximação. A legislação federal também prevê atuação policial imediata em situações de risco.
O Código Penal trata separadamente crimes como lesão corporal, ameaça, cárcere privado e estupro. A investigação deverá apontar quais condutas podem ser atribuídas ao preso e se existem provas suficientes para a apresentação de denúncia.
Marcos permaneceu à disposição da Justiça após o registro do flagrante. As novas acusações ainda serão examinadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Ele terá direito ao contraditório, à defesa e à presunção de inocência quanto aos fatos investigados agora, garantias previstas no ordenamento brasileiro.
Com informações do JHNotícias.
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