Tem gente que passa a vida inteira nos bastidores da política sem nunca aparecer como protagonista. Edwilson Negreiros é quase o contrário disso. Ficou conhecido justamente por transitar nos corredores, resolver impasses e evitar embates públicos, e agora decidiu sair da sombra para tentar uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia, desta vez com a legenda do Podemos.
Muita gente em Porto Velho o chama de Meu Príncipe. O apelido carinhoso pegou tanto que virou quase um sobrenome político. E foi com essa fama, somada a três mandatos como vereador e à experiência de ter presidido a Câmara Municipal, que ele colocou seu nome à disposição para 2026.
Ele comandou o Legislativo municipal em parte das gestões de Hildon Chaves, aparecendo como presidente da Câmara em 2019, 2020 e 2021. A pré-candidatura a deputado estadual foi divulgada em abril deste ano, e por enquanto esse é o termo mais correto, já que as candidaturas oficiais ainda dependem das convenções partidárias e do registro na Justiça Eleitoral.
A filiação ao Podemos, porém, não veio sem barulho. Segundo apuração divulgada em abril, Edwilson teria assinado ficha de filiação no Avante no início do mês e, dois dias depois, registrado uma nova filiação no Podemos com data retroativa. O Avante alega ter o documento original reconhecido em cartório e ameaça acionar o caso na Justiça Eleitoral, o que pode terminar no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia. Nada disso, até agora, foi decidido, e o caso segue em apuração.
Dentro do próprio Podemos, Edwilson não está sozinho na briga por espaço na capital. Paulo Moraes Júnior, que comandou a Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer até sair para se dedicar à pré-candidatura, também está na legenda. E ali a coisa fica mais interessante, porque Paulo é irmão do atual prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, o que naturalmente traz peso político, mas também expõe o pré-candidato a comparações difíceis de evitar.
Colunas políticas locais já apontam um cenário desconfortável para Paulo. Falta tino político, dizem alguns interlocutores, e falta também aquela facilidade de aproximação que o irmão prefeito tem e que ele, aparentemente, não herdou. Tem quem lembre que em 2025 Paulo somou pouco mais de mil votos, número considerado fraco para quem carrega o sobrenome de um prefeito em exercício. Se essa avaliação vai se confirmar nas urnas de 2026, ninguém sabe dizer com certeza, e comparar diretamente com o desempenho de Edwilson ainda seria antecipar um resultado que depende de convenção, de campanha e do voto de outubro.
Não dá para chamar Edwilson de novato. Construiu boa parte da carreira fazendo o que poucos gostam de fazer, que é sentar, ouvir os dois lados e costurar um acordo. Prefere conversar a discursar. Prefere aparecer resolvendo do que aparecer brigando. E foi assim, no dia a dia, que se tornou um dos nomes mais próximos do então prefeito Hildon Chaves durante o período à frente da Câmara.
Nos bastidores, dizem que ele é um estrategista dos bons. Só que aí complica, porque um político que vive de articulação dificilmente vai contar tudo que fez para chegar onde chegou. A força dele está exatamente aí, na discrição, na capacidade de transitar entre grupos que normalmente não se falam.
Levantamentos recentes sobre a disputa em Rondônia colocam justamente Paulo Moraes e Edwilson Negreiros entre os nomes competitivos do Podemos para as duas vagas que a legenda projeta conquistar na Assembleia. Ou seja, além de dividir sigla, os dois podem acabar disputando as mesmas cadeiras dentro da própria nominata, o que tende a deixar a corrida interna do partido bem mais acirrada do que qualquer disputa entre siglas diferentes.
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