A eleição de 2026 carrega, em Rondônia, uma reclamação que se repete nos bastidores das campanhas. O dinheiro dos partidos não teria chegado a todos os candidatos na proporção esperada, e essa diferença fica visível na comparação entre estruturas mais enxutas e outras que seguem com gastos bem maiores, caso da chapa que reúne o candidato ao governo Marcos Rogério e o candidato ao Senado Fernando Máximo, que já roda o estado com agenda cheia.
Boa parte da queixa tem origem nos recursos que as siglas distribuem entre seus candidatos. Fontes ouvidas nos bastidores relatam que alguns valores prometidos ficaram abaixo do combinado. O ponto pede cautela, porque as promessas de cada partido mudam conforme critérios definidos pelas direções nacionais e pela origem de cada centavo repassado.
O dinheiro do fundo eleitoral
Existe ainda uma diferença que precisa ficar bem separada. Fundo Partidário e Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, não são a mesma coisa. O Tribunal Superior Eleitoral já explicou, mais de uma vez, que os dois têm regras, finalidades e formas de distribuição próprias. Para 2026, o FEFC soma R$ 4.961.519.777,00, cerca de R$ 4,96 bilhões, valor que a União liberou ao TSE em junho e que cada partido divide entre suas candidaturas segundo critério próprio.
Por isso, relatos de que determinado candidato esperava receber R$ 1 milhão e ficou com cerca de R$ 300 mil precisam vir acompanhados de documento, de dado da prestação de contas ou de manifestação das partes envolvidas antes de virar afirmação fechada. O TSE já disponibiliza as receitas e despesas das campanhas de 2026, e é ali que qualquer repasse pode ser conferido contra o que os candidatos declararam.
A crise do Banco Master chega perto do Senado
Brasília também entrou nessa conversa eleitoral, e por um caminho que passa pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça, chamado de terrivelmente evangélico por Jair Bolsonaro ainda em 2019, é o relator da Operação Compliance Zero, que apura o Banco Master. Em março, ele decretou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados, depois que a Polícia Federal apontou uma estrutura voltada a monitorar e a pressionar desafetos do grupo, entre eles jornalistas.
O caso ganhou outro capítulo no fim de agosto. A pedido da Polícia Federal, Mendonça mandou analisar mensagens apreendidas no celular de Vorcaro para identificar autoridades com foro citadas nelas, e recebeu o resultado desse trabalho na petição registrada sob o número 16662. No dia 1º de setembro, tirou o sigilo do material. Entre os dados estão mensagens enviadas por Vorcaro a um contato salvo com o nome de Alexandre de Moraes, colega de Mendonça no STF. Parte delas pedia ajuda ligada às investigações e citava o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Moraes nega ter recebido essas mensagens, e as respostas do outro lado da conversa não foram recuperadas pela perícia.
O relatório da PF juntado ao processo também chegou ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o documento, um contrato entre a banca e o Banco Master previa pagamento mensal de R$ 3,4 milhões, e o escritório teria recebido, ao todo, R$ 130 milhões do banqueiro. Nenhuma das partes teve, até agora, seus argumentos julgados pelo plenário do STF.
A repercussão levou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a abrir um novo procedimento, batizado de PET 16704. Nele, Fachin deu cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos por escrito. O próprio despacho de Fachin registra que o pedido não determina a abertura de investigação criminal, mas busca reunir informação suficiente antes de qualquer decisão colegiada.
O material tornado público pelo STF até 6 de setembro não permite afirmar, como fato definitivo, que exista irregularidade comprovada de qualquer um dos citados. O episódio segue em apuração, e as explicações pedidas por Fachin ainda não foram entregues.
Quem é o candidato que mais aparece nas ruas
Médico cirurgião formado pela UFAM, Fernando Máximo comandou a Secretaria de Saúde de Rondônia entre janeiro de 2019 e março de 2022, período que cobre boa parte da pandemia de covid-19 no estado. A exposição diante das câmeras naquela fase ajudou a explicar o resultado que teve depois nas urnas. Em 2022, ele se tornou o deputado federal mais votado de Rondônia, com 85.604 votos, e assumiu o mandato em fevereiro de 2023.
Esse capital eleitoral chegou intacto até a convenção de julho deste ano, quando o PL oficializou Fernando Máximo como candidato ao Senado, ao lado de Bruno Scheid e na chapa liderada por Marcos Rogério ao governo do estado. Ele é um entre dez nomes registrados para as duas vagas em disputa, e vem sustentando a campanha com uma agenda de rua constante. No fim de agosto, por exemplo, passou por cinco municípios da região central, Nova União, Mirante da Serra, Urupá, Ouro Preto do Oeste e Ji-Paraná, em encontros com produtores rurais, pequenos empresários e lideranças, sempre citando a experiência na saúde como principal credencial.
Fernando Máximo e o eleitorado evangélico
Essa ligação entre política e os evangélicos também marca a trajetória de Fernando Máximo, e aparece tanto em atos oficiais quanto fora deles. Do lado institucional, registros da própria Câmara mostram que, em junho, ele celebrou em plenário os 115 anos da Assembleia de Deus no Brasil e mencionou pastores e lideranças de Rondônia. Foi ainda relator do projeto que ampliou a devolução de impostos a igrejas, orfanatos, asilos e entidades filantrópicas, aprovado pela Câmara em maio deste ano, ocasião em que agradeceu a participação da Frente Parlamentar Evangélica na tramitação da matéria e se apresentou como cristão ao defendê-la. Antes disso, ainda à frente da Sesau, participou em 2021 de uma reunião do governador do estado com pastores evangélicos para tratar da reabertura das igrejas durante a pandemia, ocasião em que apresentou a avaliação técnica da secretaria sobre o tema.
Há também um lado menos institucional dessa relação. Em suas redes sociais pessoais, Fernando Máximo se apresenta como cristão, ao lado de outras credenciais como médico e deputado. Na campanha pelo interior, igrejas aparecem entre os pontos visitados junto com padarias, praças e feiras, segundo relatos do próprio candidato sobre sua rotina nos municípios. Ele também publica, com regularidade, conteúdo de cunho religioso em suas contas, incluindo registros de momentos de oração ao lado de autoridades.
O primeiro turno das eleições acontece em 4 de outubro de 2026. Em Rondônia, cada eleitor poderá escolher dois nomes diferentes para o Senado, já que duas das três cadeiras do estado estarão em disputa neste ano.
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