O endurecimento da fiscalização contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, empurrou grupos criminosos para outra frente da floresta amazônica. Segundo o Ibama, esses garimpeiros passaram primeiro pelo território Sararé, no Mato Grosso, e agora se instalaram no Amapá, avançando sobre uma das regiões mais preservadas do país.
O estado concentra hoje parte da chamada rota do ouro. As operações mais recentes miram áreas protegidas como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e o Vale do Jari, na divisa entre Amapá e Pará, onde fica o santuário das árvores gigantes da Amazônia, com angelins vermelhos que passam dos 80 metros de altura.
Só neste ano o órgão ambiental já realizou seis grandes operações contra o garimpo ilegal no Amapá. A mais recente, batizada de Calha Norte, aconteceu entre os dias 12 e 17 de maio e desmantelou sete pontos de exploração clandestina. Os agentes inutilizaram 27 escavadeiras hidráulicas, três caminhões-prancha e dois aviões, além de descartar milhares de litros de diesel usados pelos garimpeiros.
Em uma das bases de apoio, a equipe apreendeu 441 explosivos, material usado para abrir galerias subterrâneas em busca de ouro. Essa técnica, chamada de garimpo de filão, exige mais estrutura financeira e tecnológica dos criminosos e costuma causar danos ambientais ainda maiores, com destruição do relevo e contaminação de rios por mercúrio.
Quinze pessoas chegaram a ser detidas durante as ações, mas nenhuma permaneceu presa. O motivo foi a limitação das aeronaves usadas pelas equipes, pequenas demais para transportar todos os suspeitos até uma delegacia nas regiões de difícil acesso onde ocorreram as operações.
Mesmo sem prisões efetivadas, o prejuízo aos criminosos foi expressivo. O Ibama estima que a Operação Calha Norte causou mais de R$ 6 milhões em perdas às organizações que exploravam a área.
O Amapá preserva cerca de 73% do seu território sob alguma categoria de proteção, o maior percentual entre todos os estados brasileiros. São 21 unidades de conservação e extensas terras indígenas e quilombolas que formam um dos corredores de biodiversidade mais importantes da Amazônia.
Essa característica, que por décadas funcionou como barreira natural contra o desmatamento, hoje também representa um desafio para os órgãos de fiscalização, que precisam atuar em regiões isoladas e cada vez mais disputadas pelo crime organizado. Episódios anteriores no estado já registraram contaminação de rios por mercúrio, o que reforça a preocupação das autoridades com o novo fluxo de garimpeiros chegando à região.
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