O senador e candidato ao Governo de Rondônia Marcos Rogério, do PL, mostrou à imprensa o plano que a coligação Juntos por Rondônia pretende seguir entre 2027 e 2030. São dez eixos e 228 projetos, cada um com responsável definido, fonte de recurso e meta a cumprir ano a ano. A ideia, segundo o candidato, é que qualquer pessoa consiga acompanhar se aquilo que foi prometido realmente sai do papel.
Tem uma coisa que chama atenção nesse tipo de documento. Não basta prometer, precisa mostrar como vai medir o resultado. E foi por isso que a equipe decidiu criar uma linha de base até o fim de 2026, um ponto de partida para comparar depois se o estado avançou ou ficou parado.
O trabalho começou bem antes da corrida eleitoral, com a chamada Rota 22. Durante meses, a equipe percorreu cidades maiores, municípios pequenos e distritos ouvindo produtor rural, comerciante, professor, agente de saúde, policial, cooperativado, jovem, gente da igreja e da cultura. Totens digitais e formulários também ajudaram a captar queixas e prioridades. No fim das contas, saúde apareceu na frente de tudo entre as preocupações da população.
Depois dessa etapa mais aberta, veio a fase técnica. Médicos, servidores do SUS, oficiais das forças de segurança, engenheiros, professores, economistas e especialistas em contas públicas se reuniram para cruzar o que foi ouvido nas ruas com estudos já existentes, como o Plano de Desenvolvimento Estadual Sustentável e o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia.
O diagnóstico apresentado por Marcos Rogério coloca lado a lado uma economia estadual estimada em cerca de R$ 83 bilhões em 2026 e uma rede de serviços que ainda deixa a desejar. São 1,46 leito hospitalar em funcionamento para cada mil habitantes, quando o parâmetro adotado no plano é de 2,5. Cerca de 10 mil pessoas esperam por endoscopia e outras 17 mil aguardam consulta com especialista. Na malha rodoviária estadual, 74% das vias seguem sem asfalto.
Na saúde, a primeira medida prevista é a criação de um Gabinete de Crise, que nos primeiros 100 dias deve levantar a real situação da rede, unificar as filas espalhadas pelo estado e começar as ações mais urgentes. Junto disso vem o S.O.S. Saúde, uma operação extraordinária de 180 dias voltada a atacar o acúmulo de exames, consultas e cirurgias eletivas represadas. O plano também fala em regionalizar o atendimento, criar um novo sistema de regulação, ampliar a telemedicina e levar Carretas da Saúde a áreas mais distantes.
Já na infraestrutura, o programa batizado de Rotas do Desenvolvimento estabelece uma meta bem concreta. Sair dos atuais 26% de rodovias asfaltadas e chegar a 45% até 2030, com mais de 80% dos trechos pavimentados em boas condições. Para isso, o documento prevê medição mensal da malha, um fundo próprio para investimentos logísticos e um plano de logística com horizonte até 2040.
A segurança pública também entra com números duros. Só 28,1% dos cargos previstos na Polícia Civil estão ocupados hoje. O plano fala em recompor o efetivo, abrir novos concursos, integrar as bases de inteligência das forças, usar inteligência artificial no combate ao crime organizado e criar uma estrutura própria para presos apontados como líderes de facção. Mulheres, crianças e escolas também ganham programas específicos de proteção.
Na educação, a proposta prevê um diagnóstico das condições físicas das escolas logo nos primeiros 100 dias, ampliação do ensino em tempo integral e reforço na alfabetização. Segundo os números usados no documento, Rondônia fechou 2025 com Ideb de 6,1 nos anos iniciais, 4,8 nos anos finais do fundamental e 4,2 no ensino médio, patamares abaixo da média nacional em todas as etapas.
No campo econômico, o candidato assume o compromisso de não criar nem elevar impostos estaduais. O programa Rondônia Produz Mais reúne ações de simplificação de licenças, regularização fundiária e apoio à agricultura familiar, com o objetivo de agregar valor à produção do estado e abrir espaço para as empresas locais nas compras do governo.
A área de gestão fecha o pacote com metas próprias. A intenção é elevar de 2,8% para mais de 10% a fatia da despesa estadual que vira investimento até 2030. Nos primeiros 100 dias, o plano promete auditar todos os contratos de terceirização e cortar 40% dos gastos com diárias e passagens, além de apresentar uma reforma administrativa. Secretarias e estatais passariam a ter metas anuais avaliadas a cada quatro meses.
Ao falar sobre o lançamento, Marcos Rogério disse que a diferença desse plano está justamente na possibilidade de ser fiscalizado. Ele pediu que jornalistas de Rondônia peguem o documento, leiam e cobrem se as metas estão sendo cumpridas ao longo do mandato.
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