As construtoras New Home e Hastiforme, investigadas após o desabamento de um prédio que matou seis pessoas na Penha, Zona Leste de São Paulo, acumulam vários boletins de ocorrência por estelionato registrados na mesma região. Um grupo de cerca de 20 clientes afirma que as empresas não entregaram imóveis prometidos desde 2022 e não devolveram os valores pagos, somando prejuízos que os próprios compradores estimam em mais de R$ 4 milhões.
Entre as vítimas está o comerciante Alexandre Viveiros, que move ação na Justiça após pagar entrada de R$ 380 mil por um sobrado de R$ 650 mil num condomínio na Avenida Padres Olivetanos. A obra foi embargada porque oferecia risco a uma escola infantil vizinha, que registrou rachaduras e infiltrações nas paredes. A juíza Vivian Bastos Mutschaewski decretou o embargo liminar em 3 de abril de 2025. Segundo Viveiros, a construtora não avisou os clientes sobre a paralisação, e ele só soube ao passar em frente ao canteiro e ver a decisão judicial afixada na fachada. O médico Erick Cosme e a arquiteta Caroline Brito relatam situações semelhantes, com imóveis nunca entregues e tentativas frustradas de reaver os valores investidos.
Os três principais investigados pelo desabamento são Ronaldo dos Santos Vivaqua, apontado como sócio oculto da New Home; Cristiano Salgado Vivaqua, engenheiro responsável pela obra e filho de Ronaldo; e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, arquiteta e dona da New Home, esposa de Cristiano. A Polícia Civil os indiciou por homicídio com dolo eventual. Ronaldo está preso. Cristiano e Isis são considerados foragidos, embora a defesa deles afirme que os dois se afastaram por questões de segurança após receberem ameaças e que pretendem se apresentar voluntariamente às autoridades ainda neste mês.
A Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação cautelar de 29 empreendimentos ligados às duas construtoras, a maioria na Zona Leste. Do total, 21 estão vinculados à New Home e oito à Hastiforme. Apenas oito possuem alvará aprovado. A Controladoria Geral do Município também apura a conduta da servidora Viviane Rodrigues de Palma, afastada por 120 dias após assinar relatório em 2024 atestando que a demolição exigida como condição para o alvará havia sido concluída integralmente, o que contrasta com seu próprio depoimento à CGM, no qual afirmou ter feito a vistoria apenas pelo lado externo do imóvel.
Com informações de G1 São Paulo.
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