O Ministério Público de Rondônia (MPRO) denunciou um homem acusado de matar a enfermeira indígena Gleicia Arikapu na Aldeia Arikapu, localizada na zona rural de São Miguel do Guaporé. A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti e inclui ainda outras duas pessoas apontadas pela investigação como responsáveis por auxiliar o suspeito após o crime.
De acordo com o MPRO, Gleicia foi morta na tarde de 2 de maio deste ano. Segundo a denúncia, o acusado, identificado pelas iniciais D.T.M., teria efetuado um disparo de arma de fogo que atingiu a vítima no rosto dentro da residência onde o casal vivia.
As investigações da Polícia Civil apontam que os dois mantinham uma união estável havia cerca de um ano. Conforme a apuração, a enfermeira manifestava a intenção de encerrar o relacionamento, situação que não teria sido aceita pelo investigado.
O Ministério Público afirma ainda que, entre janeiro e maio de 2026, o acusado teria ameaçado a vítima de morte com o uso de uma faca, em um contexto de violência doméstica e familiar.
Na denúncia, o MPRO sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, relacionado à inconformidade do acusado com o possível fim da relação. O órgão também aponta que a vítima foi surpreendida pelo disparo e não teve chance de defesa, além de destacar que o caso ocorreu em contexto de violência doméstica contra a mulher.
Segundo a acusação, Gleicia deixou um filho de 16 anos, que teria sido a primeira pessoa a encontrá-la após o ocorrido.
A denúncia também alcança outros dois indígenas. Conforme a investigação, após o crime, o acusado teria procurado os dois na base da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O Ministério Público afirma que eles teriam recebido a arma utilizada no homicídio e ajudado a escondê-la em uma área de mata para dificultar as investigações.
Além da acusação de feminicídio, o suspeito foi denunciado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e ameaça. Os outros dois investigados respondem por supostamente terem prestado auxílio ao autor após o crime.
O MPRO também solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima em favor dos familiares da vítima.
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