Professores da Escola Classe Café sem Troco, localizada na zona rural do Distrito Federal, denunciam assédio moral e perseguição por parte da diretora da unidade. Os relatos se acumulam há mais de dois anos, mas as retaliações pioraram após as primeiras denúncias formais, em outubro. A situação levou oito dos 13 funcionários que entraram com as queixas a apresentarem atestados médicos por razões psicológicas.
A diretora foi afastada em fevereiro para responder a processo administrativo, mas retornou ao cargo após 60 dias sem que a corregedoria tivesse concluído a investigação. A volta gerou tamanha apreensão que parte dos servidores não foi trabalhar no dia em que souberam do retorno. Uma das funcionárias relatou ter sido internada com crise de ansiedade aguda e afirmou estar sob uso contínuo de medicamentos. A equipe chegou a enviar uma carta à governadora Celina Leão (PP) relatando condutas classificadas como autoritárias e persecutórias.
Entre as acusações estão intimidação de funcionários em reuniões privadas, distribuição autoritária de turmas, uso de canais da escola para propaganda política, venda irregular de doces no ambiente escolar e pressão para que professores não reprovassem alunos do quinto ano, com o objetivo de melhorar as notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Professores também relatam interferência direta nas aulas e o uso de uma cartilha própria da gestora em substituição ao material oficial. A Secretaria de Educação negou irregularidade quanto ao material didático e informou que o processo administrativo corre em sigilo, sem explicar a demora na conclusão.
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