‘Você não é obrigado’: Autoridade de NY instrui imigrantes a enfrentar o ICE

Autoridade eleita no estado de Nova York, Zohran Mamdani, lançou um guia prático ensinando imigrantes a exercerem seus direitos constitucionais ao serem abordados pela agência ICE.
‘Você não é obrigado’: Autoridade de NY instrui imigrantes a enfrentar o ICE
Reprodução Internet

Em um movimento que reacende o debate sobre os direitos civis e a política de imigração nos Estados Unidos, uma autoridade eleita do estado de Nova York está na linha de frente, mobilizando a comunidade imigrante com instruções detalhadas sobre como agir em caso de abordagem por agentes da Imigração e Alfândega (ICE – Immigration and Customs Enforcement).

Zohran Mamdani, que atua como membro da Assembleia Estadual de Nova York, divulgou um guia prático destinado a orientar imigrantes – documentados ou não – sobre seus direitos constitucionais, focando na prerrogativa de não cumprir ordens da agência federal sem a apresentação de um mandado judicial específico.

A iniciativa, amplamente divulgada em canais comunitários e redes sociais, visa desmistificar o poder do ICE e garantir que indivíduos vulneráveis exerçam seu direito de permanecer em silêncio e de não abrir suas residências a agentes federais, a menos que haja um mandado assinado por um juiz. Este tipo de mandado (warrant) difere substancialmente das ordens administrativas usadas internamente pelo ICE.

Nova York, sendo uma das cidades com maior diversidade e densidade de comunidades estrangeiras no mundo, frequentemente se torna um campo de tensão entre as políticas de acolhimento locais e as diretrizes federais de enforcement. A orientação de Mamdani reflete a posição de santuário que a cidade e o estado frequentemente adotam, buscando proteger seus residentes, independentemente de seu status legal migratório.

As instruções são diretas e buscam capacitar os imigrantes. Entre as principais recomendações está a ênfase no direito de manter o silêncio, o que impede que declarações involuntárias sejam usadas contra a pessoa em um processo de deportação. Além disso, o guia instrui que, ao ser abordado na rua ou em casa, o indivíduo deve perguntar se está detido. Caso a resposta seja negativa, ele tem o direito de ir embora. Se estiver em casa, a regra é clara: não abrir a porta sem um mandado judicial.

“O medo do ICE é paralisante para muitas famílias que contribuem ativamente para a economia e a sociedade nova-iorquina. Ao informarmos esses direitos, estamos retirando o poder do medo e substituindo-o pela informação legal”, afirmou Mamdani em declarações à imprensa local. A ação é vista por defensores dos direitos humanos como um passo crucial para equilibrar as interações entre a população e agências que, muitas vezes, operam com alto nível de discricionariedade.

O Guia de Direitos é um contraponto direto à postura federal que, especialmente em administrações passadas, intensificou as operações de deportação. Essa tensão entre jurisdições é um tema recorrente na política internacional americana, onde estados e municipalidades frequentemente se opõem às políticas migratórias do governo central, alegando que a cooperação total com o ICE prejudica a confiança e a segurança pública local.

Embora a iniciativa tenha recebido forte apoio de ativistas e da própria comunidade imigrante, críticos argumentam que tal orientação pode ser interpretada como um incentivo à resistência à lei federal. No entanto, os defensores reiteram que trata-se apenas de instruir sobre direitos já garantidos pela Quarta e Quinta Emendas da Constituição Americana, que protegem contra buscas e apreensões irracionais e garantem o direito ao devido processo legal para qualquer pessoa em solo americano.

Portanto, a disseminação desse conhecimento legal em Nova York não é apenas uma questão local, mas um símbolo da resistência e da luta por direitos humanos básicos que ecoa em todo o país e chama a atenção da comunidade internacional.

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