O Brasil entra em campo nesta segunda-feira, às 14h de Brasília, no NRG Stadium, em Houston, no Texas, para enfrentar o Japão na primeira fase do mata-mata da Copa do Mundo. Quem vencer avança às oitavas de final, e quem perder está fora do torneio. O time de Carlo Ancelotti chega como líder do Grupo C, com sete pontos, depois de vencer Haiti e Escócia e empatar com o Marrocos. O Japão passou em segundo no Grupo F, com cinco pontos.
A expectativa em torno do jogo carrega um peso que não existia em outras décadas. Por muito tempo o favoritismo brasileiro era quase absoluto diante dos japoneses, só que o último capítulo dessa história mudou um pouco a temperatura. Em outubro de 2025, num amistoso em Tóquio, o Japão venceu o Brasil por 3 a 2 de virada. Foi a primeira vez que isso aconteceu, e o resultado ainda está fresco na memória da torcida.
O retrospecto geral, mesmo assim, segue largamente favorável ao Brasil. As duas seleções já se enfrentaram 14 vezes ao longo da história. São 11 vitórias brasileiras, dois empates e aquela única derrota. No saldo de gols a diferença é enorme, com 37 bolas marcadas pelo Brasil contra apenas 8 sofridas, e um aproveitamento que beira os 80%.
A maior parte desses jogos saiu em amistosos. Foram dez encontros desse tipo, com nove vitórias do Brasil e a derrota de 2025. O primeiro confronto entre as seleções foi justamente um amistoso, em 1989, quando o Brasil ganhou por 1 a 0. Nos anos seguintes vieram goleadas que ajudam a explicar a vantagem histórica, como os 5 a 1 de 1995 e o 3 a 0 de 1997.
Os dois empates da série aconteceram em jogos oficiais, mais especificamente na Copa das Confederações. O Brasil e o Japão ficaram no 0 a 0 em 2001 e no 2 a 2 em 2005, os únicos tropeços brasileiros que não terminaram em derrota nem vitória. Foram três partidas no total por aquele torneio, com uma vitória e os dois empates.
Em Copa do Mundo, as seleções só se cruzaram uma vez antes de agora. O encontro foi em 2006, na Alemanha, pela última rodada da fase de grupos. O Brasil venceu por 4 a 1, com dois gols de Ronaldo, um de Juninho Pernambucano e um de Gilberto. Havia um detalhe simbólico naquele dia, porque o Japão era treinado por Zico, ídolo brasileiro e também uma lenda do futebol japonês. O Brasil avançou com a melhor campanha do grupo e o Japão se despediu com um ponto.
Vinte anos depois, o cenário do futebol japonês é outro. O país investiu pesado em formação de base, em treinadores e na exportação de jogadores para a Europa, e o resultado aparece em campo. Nesta Copa, os japoneses mostraram organização tática e intensidade para chegar ao mata-mata, e empataram até com a Holanda na fase de grupos. O principal nome do time é Takefusa Kubo, que se machucou no joelho na estreia, ficou de fora de algumas partidas e voltou a jogar contra a Suécia, podendo reforçar a equipe diante do Brasil.
Pelo peso da camisa, pela qualidade do elenco e pela tradição em mata-mata, o Brasil entra como favorito. Só que aí complica, porque o Japão costuma criar dificuldades para adversários mais talentosos com marcação intensa, linhas compactas e velocidade nas transições. Em jogo eliminatório, uma bola parada ou um erro individual pesa muito mais. Se passar, a seleção volta a campo no domingo, dia 5 de julho, contra o vencedor do duelo entre Costa do Marfim e o segundo colocado do Grupo I, ainda em busca do hexacampeonato e do fim de um jejum de 24 anos sem a taça.
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