O empate por 1 a 1 entre Brasil e Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026 valeu muito mais do que o ponto somado na tabela. No MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante de mais de 80 mil pessoas, se encontraram uma das seleções mais vencedoras de toda a história do torneio e o país que protagonizou a melhor campanha já feita por uma equipe africana em Mundiais. O Marrocos saiu na frente com Ismael Saibari, mas Vinícius Júnior respondeu com um golaço ainda no primeiro tempo e deixou tudo igual.
Marrocos chegou a esta Copa carregando a herança de 2022, quando terminou o Mundial do Catar em quarto lugar, a melhor posição já alcançada por um país do continente. Naquela edição, a equipe se tornou a primeira seleção africana e árabe a chegar numa semifinal de Copa, e fez isso passando por Bélgica, Espanha e Portugal, ainda com um empate diante da Croácia logo na fase de grupos. Foi uma sequência que mexeu com muita gente.
Antes disso, nenhuma seleção africana tinha passado das quartas de final. Camarões em 1990, Senegal em 2002 e Gana em 2010 pararam justamente ali, perto demais e ao mesmo tempo longe.
O retrospecto recente ajuda a entender por que o time é tão respeitado hoje. Desde 2022, o Marrocos perdeu só uma partida em Copas do Mundo, e a defesa virou a grande marca da equipe, tão sólida que na campanha do Catar a seleção só sofreu um gol de adversário até a semifinal. É o tipo de regularidade que poucos países fora da Europa e da América do Sul conseguiram sustentar.
Do outro lado estava o Brasil disputando sua 23ª Copa, a única seleção presente em todas as edições desde 1930. Segue como maior campeão da história, com os cinco títulos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, só que tenta encerrar uma fila que já passa de duas décadas. E foi aí que o jogo ganhou um sabor diferente, porque colocou frente a frente dois momentos distintos do futebol, um país tentando recuperar o protagonismo e outro querendo provar que 2022 não foi sorte de uma vez só.
Tem um dado que vale guardar. O futebol africano nunca colocou um representante numa final de Copa do Mundo, e o que o Marrocos vem mostrando nos últimos anos fez crescer a expectativa de que essa barreira possa finalmente cair. Será que é desta vez? Ninguém sabe, mas a pergunta já não soa fora de lugar.
O empate ainda esticou uma sequência pouco comum, já que os marroquinos seguem sem perder para seleções sul-americanas nos jogos mais recentes de Copa, um desempenho que dá ainda mais peso ao ponto conquistado na estreia.
Agora o Brasil enfrenta o Haiti no dia 19 de junho, enquanto o Marrocos mede forças com a Escócia. Os resultados começam a desenhar os rumos de um grupo que abriu equilibrado e com pouca margem pra erro.
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