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Principal hospital de urgência de Rondônia atravessa quatro décadas sob cobrança por melhorias e investimentos

Unidade inaugurada em 1984 continua recebendo pacientes dos 52 municípios e de estados vizinhos enquanto estrutura é classificada como crítica pelo TCE-RO

Principal hospital de urgência de Rondônia atravessa quatro décadas sob cobrança por melhorias e investimentos
Foto: Divulgação

O Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II continua sendo a principal referência de urgência e emergência de Rondônia mais de quatro décadas depois de sua inauguração. Localizada em Porto Velho, a unidade recebe pacientes encaminhados dos 52 municípios do estado e ainda atende pessoas vindas do Acre, do sul do Amazonas e da Bolívia.

A dimensão da demanda contrasta com a idade e as condições da estrutura. O hospital foi inaugurado em 1984 e, seis anos depois, passou a ocupar o papel de principal porta de entrada para casos de maior gravidade na rede pública estadual.

Na época em que assumiu essa função, Rondônia tinha pouco mais de meio milhão de habitantes. Hoje, a população estadual está próxima de 1,8 milhão. A quantidade de moradores mais que triplicou, mas boa parte da estrutura física usada pelo hospital permanece ligada ao modelo construído décadas atrás.

O quadro aparece no levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia sobre os principais desafios deixados para a próxima gestão. Na avaliação da Corte, a situação do João Paulo II é crítica.

O papel do João Paulo II vai muito além do atendimento da população de Porto Velho.

Pacientes que precisam de serviços de urgência e emergência de maior complexidade são encaminhados de municípios de diferentes regiões de Rondônia para a capital. Isso transforma o hospital em ponto de chegada de uma rede que atende desde cidades próximas até localidades separadas por centenas de quilômetros.

A unidade também recebe pacientes de fora do estado. Segundo o levantamento citado pelo TCE-RO, há atendimento de pessoas vindas do sul do Amazonas, do Acre e até da Bolívia.

Na prática, isso coloca sobre uma única estrutura hospitalar uma demanda que ultrapassa os limites de Porto Velho e, em determinados casos, as próprias fronteiras de Rondônia.

Quando o João Paulo II começou a funcionar, em 1984, Rondônia vivia uma realidade demográfica diferente.

A expansão da população, o crescimento das cidades e o aumento da procura por serviços especializados ampliaram a pressão sobre a rede pública. O hospital, no entanto, continuou exercendo papel central nesse sistema.

Em 1990, quando passou a funcionar como principal hospital de urgência e emergência, o estado tinha pouco mais de 500 mil habitantes. Atualmente, Rondônia se aproxima de 1,8 milhão de moradores.

Isso significa que o mesmo hospital atravessou décadas de crescimento populacional sem deixar de ocupar o centro da assistência aos casos mais graves.

A diferença ajuda a dimensionar o problema apontado pelo Tribunal de Contas: a demanda cresceu em uma velocidade muito maior do que a renovação da estrutura disponível.

A permanência do hospital como principal referência também revela outro problema da organização do sistema estadual de saúde: a concentração de serviços de maior complexidade na capital.

Quanto menor a capacidade de atendimento especializado no interior, maior tende a ser a quantidade de pacientes transferidos para Porto Velho.

O resultado é uma rede em que o João Paulo II acaba funcionando como destino para situações que não conseguem ser resolvidas em outras unidades.

Esse fluxo aumenta a pressão sobre leitos, equipes, equipamentos, exames e serviços de apoio.

Para um paciente que vive a centenas de quilômetros da capital, a dependência também significa enfrentar uma etapa adicional: o deslocamento até Porto Velho antes mesmo do atendimento hospitalar de referência.

A avaliação do Tribunal de Contas não trata apenas da idade do prédio.

O João Paulo II aparece dentro de um diagnóstico mais amplo sobre as dificuldades da saúde estadual, que reúne problemas de infraestrutura, planejamento orçamentário, falta de profissionais e concentração de serviços.

Nesse cenário, a classificação de situação crítica dada pelo TCE-RO chama atenção porque recai justamente sobre a unidade que continua recebendo parte importante dos casos de urgência e emergência de Rondônia.

A condição do hospital ganha ainda mais peso quando se considera que não se trata de uma unidade complementar. O João Paulo II ocupa posição central na rede.

Qualquer limitação de espaço, equipamento ou pessoal atinge diretamente pacientes encaminhados de praticamente todas as regiões do estado.

O tempo de funcionamento do João Paulo II também ajuda a mostrar como uma solução que deveria acompanhar o crescimento de Rondônia acabou sendo adiada ao longo dos anos.

A unidade inaugurada em 1984 atravessou diferentes governos, mudanças na organização da saúde pública e um forte crescimento populacional, mas continuou exercendo essencialmente a mesma função estratégica.

Mais de 40 anos depois, Rondônia ainda depende do hospital como principal referência para urgências e emergências.

A situação se torna ainda mais relevante porque a substituição ou ampliação dessa capacidade hospitalar é discutida há anos.

Enquanto uma nova estrutura não assume efetivamente parte dessa demanda, o João Paulo II continua sendo o endereço para onde seguem pacientes de Porto Velho, do interior e de regiões vizinhas.

O diagnóstico apresentado pelo TCE-RO coloca o hospital dentro de um problema que não termina nos limites da unidade.

A superlotação ou a concentração de pacientes na capital está ligada à capacidade de atendimento disponível nos municípios, ao número de profissionais, aos serviços de diagnóstico e à existência de leitos especializados em outras regiões.

Por isso, reduzir a pressão sobre o João Paulo II depende também de fortalecer outras unidades da rede.

Quanto mais casos puderem ser diagnosticados, tratados ou estabilizados nas próprias regiões de origem, menor será a necessidade de transferir pacientes para Porto Velho.

A situação atual, porém, mantém o hospital como principal ponto de sustentação da urgência estadual.

Mais de quatro décadas depois da inauguração, o João Paulo II permanece indispensável para o funcionamento da saúde pública de Rondônia.

A mesma unidade criada em uma época em que o estado tinha pouco mais de meio milhão de habitantes hoje atende uma população quase três vezes maior e recebe pacientes dos 52 municípios, além de pessoas vindas de estados vizinhos e da Bolívia.

O levantamento do Tribunal de Contas transforma essa permanência em um dos sinais mais evidentes do desafio deixado para os próximos anos: Rondônia aumentou sua população e sua demanda por atendimento, mas ainda depende de uma estrutura hospitalar construída para outra realidade.

Enquanto uma alternativa capaz de dividir essa pressão não estiver funcionando, o João Paulo II continuará sendo a principal porta de urgência do estado, e uma das maiores demonstrações dos limites atuais da rede pública de saúde.

Fonte:  Tribunal de Contas do Estado de Rondônia

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