O calor em Belém, agravado pelo fenômeno climático El Niño, coloca em risco a saúde de motoristas e entregadores por aplicativo que trabalham diariamente sob altas temperaturas. Segundo o professor doutor em meteorologia da Universidade Federal do Pará, Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão, o fenômeno reduz a nebulosidade e aumenta a incidência de radiação solar na Amazônia, e, combinado à alta umidade e à urbanização, eleva a sensação de calor e abafamento na cidade.
No trânsito, a situação é ainda mais crítica para quem trabalha sobre duas rodas. O médico do trabalho Gustavo Almeida explica que motociclistas e ciclistas sofrem uma dupla exposição, à radiação solar direta e ao calor irradiado pelo asfalto e pelos motores dos veículos. No curto prazo, isso pode causar desidratação, dor de cabeça, náuseas e redução dos reflexos, aumentando o risco de acidentes. A longo prazo, há risco de câncer de pele, problemas cardiovasculares e sobrecarga renal. Eluan Luis, de 37 anos, que trabalha como motociclista por aplicativo há cinco anos em Belém, relata que sente mal-estar nos horários mais quentes, mas que é justamente nesse período que há mais chamadas.
Como medida de apoio, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região instalou na sua sede em Belém um ponto de suporte para esses trabalhadores, com água potável, banheiros, tomadas para recarga de celulares e área de descanso. O desembargador Paulo Isan Coimbra Júnior afirma que as plataformas digitais têm responsabilidade sobre a saúde dos trabalhadores, mesmo sem vínculo empregatício formal, pois há responsabilidade na cadeia produtiva. Uber, 99 e iFood informaram que as demandas relacionadas a motociclistas são centralizadas pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, a Amobitec, que não detalhou protocolos específicos contra o calor extremo.
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