Vídeos de agentes armados destruindo dragas e incendiando aeronaves em áreas de mata do Amazonas têm circulado nas redes sociais e chamado atenção do público. As imagens mostram operações do Ibama contra o garimpo ilegal em regiões como o Vale do Javari e o Rio Madeira, realizadas em conjunto com a Polícia Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Segundo o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, cerca de 4 mil dragas foram destruídas no estado desde 2023. Uma das ações mais recentes foi a Operação Aurum, em Tabatinga, no dia 30 de outubro, quando equipes apreenderam ou destruíram oito dragas, sete motor-balsas e uma rabeta. Entre setembro e março anteriores, outras operações, como a Hidra Dourada e a Xapiri, resultaram na inutilização de dezenas de embarcações e maquinários no Rio Madeira. Na Operação Xapiri, 25 trabalhadores em situação análoga à escravidão foram identificados, incluindo dois menores de idade.
A destruição dos equipamentos em campo é autorizada pelo Artigo 111 do Decreto Federal nº 6.514/2008, quando o transporte e a guarda são considerados inviáveis ou oferecem risco às equipes. Joel Araújo explica que retirar dragas de áreas remotas exporia os agentes a emboscadas. O chefe de comunicação do Ibama, Tiago Costa, acrescentou que aeronaves adaptadas para o garimpo têm condições inseguras de uso, o que inviabiliza seu aproveitamento posterior.
Sobre o impacto ambiental da queima dos equipamentos, o superintendente afirma que os danos são menores do que os causados pela operação contínua do garimpo, que contamina rios com mercúrio, altera leitos e suprime vegetação, prejudicando comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem dos recursos hídricos para sobreviver.
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