Caso Banco Master chega ao STF após investigação apontar fraude bilionária no sistema financeiro

Operação Compliance Zero apura emissão de créditos falsos, rombo estimado em até R$ 17 bilhões e envolve executivos, banco público e decisões do Banco Central
Caso Banco Master chega ao STF após investigação apontar fraude bilionária no sistema financeiro
Reprodução Internet

A Polícia Federal e o Banco Central aprofundaram, ao longo de 2025, as investigações sobre um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. A apuração, batizada de Operação Compliance Zero, mira um esquema de fraudes no chamado Caso Banco Master, que envolve a criação e negociação de créditos inexistentes, com impacto direto no sistema financeiro nacional.

O foco da investigação recai sobre o Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo as autoridades, a instituição teria inflado artificialmente seus balanços ao registrar carteiras de crédito sem lastro real. Esses ativos teriam sido negociados com o BRB, banco público do Distrito Federal, caracterizando fraude contábil e gestão irregular.

As apurações começaram em 2024, a partir de requisição do Ministério Público Federal. Desde então, a Polícia Federal passou a investigar crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. Além de Vorcaro, ex-diretores do Banco Master e um ex-sócio também entraram na lista de investigados. Do lado do BRB, o ex-presidente Paulo Henrique Costa chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial.

No curso das diligências, surgiu a citação ao deputado federal João Carlos Bacelar, o que levou a defesa de Vorcaro a pedir a remessa do caso ao Supremo Tribunal Federal. Em dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli acolheu o pedido e determinou que todas as investigações passassem a tramitar no STF, sob sigilo máximo, devido à gravidade das suspeitas.

Os valores em análise chamam atenção. O Banco Central identificou um fluxo atípico de cerca de R$ 12,2 bilhões transferidos do BRB para o Banco Master nos primeiros meses de 2025. Auditorias apontaram que pelo menos R$ 12 bilhões em créditos registrados pelo Master não possuíam lastro real. Estimativas preliminares indicam que o volume total da fraude pode chegar a R$ 17 bilhões, o que coloca o caso entre os maiores já registrados no país.

A crise se agravou após o Banco Central vetar, em setembro de 2025, a tentativa do BRB de comprar o Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões. Dois meses depois, em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial das empresas do conglomerado Master, suspendendo operações, bloqueando bens dos controladores e acelerando o vencimento de dívidas.

No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, com prisões e buscas em cinco estados. Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar ao exterior. A PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios, dinheiro em espécie e determinou o bloqueio de bilhões de reais em ativos financeiros.

Após alguns dias, Vorcaro obteve liberdade provisória por decisão do TRF-1, mediante uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. O inquérito seguiu sob sigilo e ganhou novo fôlego no fim de dezembro, quando o STF autorizou uma rodada de depoimentos presenciais em Brasília.

No dia 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e um diretor do Banco Central prestaram depoimento. Diante de contradições entre as versões apresentadas por Vorcaro e o ex-presidente do BRB, a Polícia Federal realizou uma acareação ainda na mesma noite, no próprio STF. O procedimento encerrou-se sem novas prisões e marcou uma etapa decisiva da investigação.

A repercussão do caso é ampla. Cerca de 1,6 milhão de clientes do Banco Master podem ser afetados, muitos deles dependentes do ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos, limitado a R$ 250 mil por CPF. O episódio também colocou sob pressão os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro e reacendeu debates sobre a atuação do Banco Central e a proteção aos investidores.

Com as diligências concluídas em dezembro, a expectativa é que a Polícia Federal avance na análise do material apreendido e encaminhe o inquérito ao Ministério Público Federal no início de 2026. A partir daí, o STF deverá decidir sobre eventuais denúncias e novos desdobramentos de um caso que segue no centro das atenções nacionais.

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