Gilmar recua e libera pedidos de impeachment

Ministro volta atrás e devolve ao cidadão o direito de acionar o Senado
Gilmar recua e libera pedidos de impeachment
Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal

Gilmar Mendes decidiu nesta quarta em Brasília suspender parte da própria liminar que havia mudado as regras para pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. O recuo veio depois de um pedido formal do Senado, que chegou ao gabinete dele pela manhã e pedia que tudo ficasse como está até que os parlamentares avaliem o novo projeto de Lei do Impeachment, parado desde 2023.

Com a decisão, qualquer pessoa volta a poder protocolar um pedido de impeachment no Senado, como sempre foi, sem depender exclusivamente da Procuradoria-Geral da República. Na prática, Gilmar derruba dois pontos centrais da liminar anterior, mas mantém outros trechos que tratam do quórum e dos motivos que podem abrir um processo.

O ministro registrou no despacho que o Senado passou a dar andamento ao debate sobre uma atualização da lei, proposta pelo senador Rodrigo Pacheco. Para ele, esse movimento demonstra disposição de fortalecer a relação entre os Poderes e assegurar regras mais claras para casos que envolvam autoridades do Judiciário.

No pedido enviado ao Supremo, o Senado argumentou que não pretendia enfrentar a Corte, mas resguardar sua atribuição constitucional de legislar sobre o tema enquanto o projeto tramita. Gilmar acolheu a justificativa e ajustou sua própria decisão.

O assunto ganhou ainda mais peso porque, na primeira gestão de Davi Alcolumbre na presidência do Senado, entre 2019 e 2021, chegaram à Casa 36 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. A revisão agora se soma a esse histórico e prepara terreno para a nova lei que deve reorganizar todo o processo.

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