A movimentação política que começou tímida nos gabinetes de Porto Velho já virou assunto nas esquinas da capital, nas conversas de mercado e nas mesas de café espalhadas pelo interior. O senador Marcos Rogério, presidente do PL em Rondônia, acelera a formação de uma composição que o coloque na disputa pelo governo em 2026. Dentro desse arranjo, o deputado federal Fernando Máximo deve deixar o União Brasil e seguir para o PL, onde deve entrar na corrida pelo Senado. Pessoas próximas aos dois afirmam que a parceria está quase selada.
Esse avanço reforça a posição de Marcos Rogério dentro do partido e encurta o espaço do senador Jaime Bagattoli, que também tenta viabilizar sua candidatura ao governo. Bagattoli encontra pela frente a força política de Rogério, que há anos constrói discretamente esse caminho, dialogando com lideranças de todos os cantos do estado e consolidando apoios. A leitura entre aliados é que essa disputa interna pende mais para quem comanda a sigla no estado.
Enquanto a capital discute essa composição, o interior segue seu próprio ritmo. O governador interino, desembargador Raduan Miguel, esteve em Cacoal durante as comemorações dos 48 anos do município, acompanhado do prefeito Adaílton Fúria, pré-candidato ao governo. A presença de Raduan ao lado de Fúria em um evento de forte simbolismo local despertou atenção. Para muitos, aquilo soou como um teste público, uma espécie de ensaio para uma possível chapa majoritária com Fúria na cabeça e Raduan como vice. Há quem diga que esse movimento poderia contar com o aval do atual governador Marcos Rocha, do União Brasil, que mantém relação próxima com o prefeito de Cacoal. Tudo ainda no terreno das suposições, mas suposições que ganham vida quando expostas ao olhar político de Rondônia.
Ao mesmo tempo, permanece no ar o nome do prefeito Léo Moraes, do Podemos. Ele evita confirmar qualquer intenção de disputar o governo, mas seu nome segue ecoando nas conversas de bastidor. À frente da capital mais castigada pelas enchentes do Norte, Léo mantém apoio considerável mesmo enfrentando críticas diárias do vereador Combate, que usa as redes para apontar falhas na gestão. O prefeito foi eleito prometendo enfrentar o drama das alagações, gravando vídeos com água quase na cintura e garantindo que mudaria essa realidade, promessa que segue como desafio aberto.
O panorama político de Rondônia está em plena movimentação. As peças se organizam de maneira lenta, mas cada gesto revela algo sobre o que pode vir adiante. Marcos Rogério trabalha sua aliança, Fernando Máximo prepara sua mudança partidária, Adaílton Fúria articula no interior, Raduan Miguel aparece como possível novidade e Léo Moraes observa o ambiente. Todos se movem enquanto a população acompanha, como quem observa o Madeira enchendo, sem saber até onde a água vai subir.
O ambiente político respira expectativa. E como é tradição na vida pública rondoniense, só o tempo dirá o que fica no boato, o que vira acordo e o que chega de verdade à urna.


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