Morre em Porto Velho o conselheiro Valdivino Crispim de Souza

Trajetória no Tribunal de Contas marcou gerações de servidores e deixou legado de rigor técnico e compromisso institucional
Morre em Porto Velho o conselheiro Valdivino Crispim de Souza
Reprodução Internet

Na madrugada desta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, faleceu em Porto Velho o conselheiro Valdivino Crispim de Souza, integrante do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia. Ele estava internado no Hospital de Amor da Amazônia, na capital, onde faleceu por volta de 0h16. A notícia mobilizou instituições públicas e provocou manifestações de pesar em todo o estado.

Ainda nas primeiras horas do dia, o Tribunal de Contas decretou luto oficial por três dias. As bandeiras da sede passaram a ser hasteadas a meio mastro, em sinal de respeito à trajetória de um dos nomes mais longevos da história recente da Corte. O velório foi organizado no auditório do próprio Tribunal, em Porto Velho, aberto a familiares, servidores, autoridades e membros da sociedade.

Natural de Jaraguá, em Goiás, Valdivino Crispim chegou a Rondônia no início da década de 1980, período em que o estado ainda consolidava suas instituições. Antes de ingressar no serviço público, atuou na iniciativa privada, especialmente na área de organização e desenvolvimento empresarial. Em 1987, entrou no Tribunal de Contas por concurso público, exercendo o cargo de técnico de controle externo.

A carreira acadêmica sempre caminhou com a vida institucional. Economista de formação, Crispim concluiu mestrado em Engenharia de Produção e cursou especialização em auditoria governamental. Paralelamente, tornou-se professor da Universidade Federal de Rondônia, onde lecionou disciplinas ligadas à economia e à gestão pública, ajudando a formar quadros técnicos que ocupariam mais tarde funções estratégicas no estado.

No ano 2000, foi aprovado para o cargo de auditor do Tribunal de Contas. Seis anos depois, em abril de 2006, assumiu a função de conselheiro, posição que ocupou até o fim da vida. Ao longo de quase duas décadas no colegiado, participou de julgamentos relevantes, relatou processos complexos e acompanhou de perto a evolução dos mecanismos de fiscalização dos gastos públicos em Rondônia.

Colegas de trabalho costumam destacar o perfil discreto e metódico do conselheiro. Valdivino Crispim era conhecido pelo cuidado com a fundamentação técnica dos votos e pela defesa permanente da legalidade, da transparência e do equilíbrio institucional. Também contribuiu para a produção de manuais e orientações técnicas voltadas a gestores e servidores, material amplamente utilizado no cotidiano da administração pública rondoniense.

A morte do conselheiro repercutiu também na Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, que se manifestou oficialmente em solidariedade à família e aos colegas do Tribunal. Parlamentares lembraram a importância de sua atuação para o fortalecimento do controle externo e para a boa governança no estado.

Com mais de três décadas dedicadas à vida pública em Rondônia, Valdivino Crispim deixa um legado associado à seriedade no trato da coisa pública e à formação de gerações de profissionais do controle. Sua ausência abre uma lacuna institucional, mas o trabalho construído ao longo dos anos permanece como referência para o Tribunal de Contas e para a administração estadual.

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