A Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo, apura possíveis vínculos entre o Primeiro Comando da Capital e 12 das 22 empresas que operam o sistema de ônibus da capital paulista. A investigação levou à prisão do ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, e o nome do vereador Milton Leite (União) aparece em decisões judiciais relacionadas ao caso. A pergunta que surge é por que o transporte coletivo desperta tanto interesse de organizações criminosas.
Segundo o professor Ciro Biderman, da Fundação Getúlio Vargas, a atração não está ligada ao dinheiro vivo que circula nos veículos. O interesse estaria, na verdade, na possibilidade de aplicar grandes volumes de recursos financeiros, transformar dinheiro ilícito em receita formal, manter um fluxo diário de caixa e estabelecer relações com agentes públicos. Biderman aponta que o setor exige alto aporte de capital, o que favorece a lavagem de dinheiro, e tem operação relativamente menos complexa do que outros serviços de infraestrutura, como rodovias, saneamento ou saúde. Além disso, a compra de frotas e a contratação de pessoal geram uma receita recorrente e formal, com liquidez diária.
O controle ou a influência sobre uma empresa do setor também pode significar acesso a contratos, concessões, fiscalização e mecanismos de remuneração definidos pelo poder público, criando vínculos com agentes responsáveis por decisões administrativas. As 12 empresas citadas na investigação atual operam 510 linhas municipais e, em agosto de 2026, transportaram cerca de 72,9 milhões de passageiros, o equivalente a 41% de todos os embarques registrados no sistema naquele mês. O desembargador Sérgio Ribas, na decisão que autorizou a operação, destacou que salta aos olhos que mais da metade das empresas do sistema sejam, em tese, controladas pelo PCC.
A Operação Vectura Corrupta é mais um capítulo de uma série de investigações sobre o tema. Em abril de 2024, a Operação Fim da Linha já havia apurado suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do PCC em empresas de ônibus da capital, incluindo a Transwolff e a UpBus. Na investigação atual, o MP também apresentou denúncia contra 19 pessoas por suspeitas ligadas ao chamado banco do crime, estrutura financeira atribuída ao PCC que utilizaria empresas de fachada, contas de terceiros e laranjas para movimentar recursos.
Com informações de G1 São Paulo.
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