Doze empresas de ônibus investigadas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) respondem por 41% de todos os passageiros transportados pelo sistema municipal de São Paulo. Em agosto de 2026, essas companhias registraram 72,9 milhões de embarques, em um total de 177,9 milhões contabilizados pela rede. Juntas, elas detêm 510 linhas municipais, o equivalente a 38% de toda a malha da capital.
A Operação Vectura Corrupta, conduzida pelo Gaeco e pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão temporária na quinta-feira (17). Entre os alvos está o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), apontado pelos investigadores como proprietário de fato da Transwolff Transportes. Ele não foi encontrado em casa, mas afirmou em nota que está viajando, nega estar foragido e prometeu se apresentar às autoridades em até 24 horas. Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
As empresas citadas na investigação operam a totalidade das linhas de distribuição local da cidade, aquelas voltadas a deslocamentos dentro dos bairros e entre regiões periféricas. Dados de qualidade da SPTrans mostram que a A2 Transportes, um dos alvos diretos da operação, obteve índice médio de 58,11 pontos no Índice de Qualidade do Transporte, classificação considerada ruim pela própria autarquia. A prefeitura anunciou que estuda intervenção na empresa. A investigação apura lavagem de dinheiro, corrupção e infiltração da facção no transporte público, em desdobramento de operações iniciadas em agosto de 2024.
Com informações de G1 São Paulo.
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