Ao menos doze empresas de ônibus do estado de São Paulo são investigadas por suspeita de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. A informação é do Ministério Público de São Paulo, que na manhã desta quinta-feira (17) deflagrou, junto com a Polícia Civil, a Operação Vectura Corrupta. Entre os alvos estão o ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por quatro vezes, e o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que foi preso. Também foi preso Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e ex-candidato a deputado estadual com o registro cassado. A operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Das doze empresas investigadas, sete prestam serviços ao sistema de transporte da capital paulista: Alfa Rodobus Transportes, Viação Transcap, Transwolff, A2 Transportes, Move Bus Transportes, Transunião Transportes e Norte Bus Transportes. As demais são Imperial Transportes, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Qualibus Transportes e Spencer Transportes. Juntas, as empresas investigadas respondem por quase metade do sistema de ônibus de São Paulo, considerado o maior da América Latina e um dos cinco maiores do mundo. Todas atuam no subsistema local, voltado aos bairros mais afastados do centro, que conta com 6.029 veículos de uma frota total de 13.690 ônibus.
A investigação aponta que Milton Leite teria influência direta sobre decisões estratégicas de empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC. O documento que embasou a operação o cita como responsável pela operação de algumas dessas empresas e menciona declarações de policiais militares, feitas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff. Milton Leite não foi encontrado em sua residência quando policiais foram cumprir o mandado, e passou a ser considerado foragido. Em nota, ele negou estar foragido, afirmou estar em viagem e disse que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e é um desdobramento de investigações iniciadas em agosto de 2024 com a Operação Decurio.
Com informações de G1 São Paulo.
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